sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O problema do Piaui é de auto-estima

Joca, tua crônica, respondendo à Patrícia, a meu ver, não carece de retoques: é exatamente o que eu penso. O problema do Piaui é de auto-estima, de medo de se colocar. Eu digo isso o tempo todo por aqui, no Rio de Janeiro. Mas, com informação e cultura, isso muda, não depende dos outros, só depende de nós. Abração, Salgado Maranhão (Foto de Kenard Kruel).

De Oeiras para o mundo

Joca Oeiras. Foto de Kenard Kruel.

Carta Aberta à Patrícia Mellodi
(ou “Comecem a falar bem do Piauí!”)

Oeiras, 19 de novembro de 2009

Querida Patrícia:

Achei muito digna e verdadeira a sua crônica Parem de falar mal do Piauí. Digna e verdadeira, sim, mas tenho sérias dúvidas se eficiente, isto é, não sei não se você vai conseguir dissuadir, através dela, algum futuro detrator da nossa “Terra Querida” de fazê-lo mais uma vez.

Correndo o risco que ser acusado de tentar simplificar as coisas eu quero lembrar que o que mais estimula a gozação dos outros é eles perceberem que nós nos chateamos com elas. Aquela história, muito comum nas crianças do “apelido que pega é sempre aquele que a gente demonstra odiar”.

Você fala da auto-estima dos baianos e eu concordo com você, ela é, realmente, um patrimônio cultural deles. Mas eu sou paulistano, muito mais velho que você, e me lembro muitíssimo bem que, ainda nos primeiros anos da década de sessenta em São Paulo, todo e qualquer nordestino era rotulado, pejorativamente, de baiano e mineiro, diziam, era um baiano cansado que não agüentou a viagem de pau-de-arara e desceu no meio do caminho.

E, como você também disse, talvez fazendo um estágio pelas bandas da Terra de Castro Alves você, e outros mais, pudessem aprender a fórmula da auto-estima conquistada por eles. Ainda me lembro de um precursor da onda de baianidade que invadiu São Paulo (e transformou sua capital em SAMPA). Este compositor, não sei se ainda vive, chamava-se Gordurinha e sua música fez sucesso nas rádios paulistanas quando eu ainda cursava o ginasial (1959-1962).

Veja só a letra :

O pau que nasce torto

Não tem jeito morre torto

Baiano burro garanto que nasce morto

Sou da Bahia comigo não tem horário

Não sou otário e você pode zombar

Sou cabra macho, sou baiano toda hora

Meio dia, duas hora, quatro e meia o que é que há

Cabeça grande é sinal de inteligência

Eu agradeço a providência ter nascido lá

Cito esta música para que possam ter uma idéia do que foi a construção da auto-estima dos baianos, respondendo, pela positiva, aos ataques dos preconceituosos. A partir daí, a Bahia com, Caymi, Caetano, Gil, Betania, Gal, coadjuvados por Toquinho e Vinicius ( um”um velho calção de banho, e um livro pra vadiar e o mar que não tem tamanho...”) e secundados pelos Novos Baianos encontraria seu espaço nos corações e mentes dos brasileiros.

Quando cheguei ao Piauí, Patrícia, minha primeira reação foi de profunda revolta por ter-me deixado enganar por tanto tempo (55 anos) achando que o Piauí era um lugar inabitável ou impensável até para uma visita turística, o cú do mundo como já disseram alguns idiotas. Mas a culpa disso não pode ser creditada apenas a uma conspiração dos outros brasileiros mas também aos piauienses que, sinto dizer, intronizaram este sentimento de baixíssima auto-estima a ponto de , praticamente, não haver piauienses assumidos em São Paulo (antes do Machado Jr e do Boy, eu não conhecia nenhum).

Depois que o Piauí entrou na minha vida, soube que havia, em São Paulo, um “Encontro Anual de Migrantes piauienses” o que, posso estar enganado, é também revelador dessa baixa auto-estima. Porque não “Encontro de Piauienses residentes em São Paulo?”

Então Patrícia, eu acho que foram muito mais eficazes em termos de afirmação da piauiensidade o seu Férias no Piauí: uma viagem (quase) completa à terra querida e Eu tenho amor à minha terra, da Clarinha, sua filha. do que este “Parem de falar mal do Piauí!”.

No seu lugar eu escreveria; “A hora é agora: os muitos que têm algo a dizer façam como eu, falem bem do Piauí!”. A verdade prevalecerá, tenho certeza!

Beijos e abraços, do Joca Oeiras, o anjo andarilho

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ameaças antidemocráticas

Alô, Leonam! Alô, Kenard! Alô, Emerson! Alô, F. Wilson! Alô, Blogueiros! Sei que este blog incomoda a muita gente, mas essa gente pode, simplesmente, NÃO ACESSÁ-LO, e pronto. Mas direito não tem nenhum um alguém anônimo ou sob pseudônimo de enviar-me sistematicamente xingamentos e ameaças. A serviço do que ou de quem o sujeito está eu não sei, embora desconfie (diz, por exemplo, o troglodita, que estou lendo muito a "Veja", numa espécie de index proibitorum...). Este blog NÃO IRÁ CALAR (estamos em Cuba?) e amanhã mesmo já entregarei à polícia o material agressivo que tenho recebido e cujo objetivo é, obviamente, me amedrontar. Aviso, porém, antes, a todos os colegas blogueiros, a fim de que NÃO PERMITAMOS esse tipo de TERRORISMO contra a LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Gostaria que, na medida do possível, replicassem essa minha postagem. VADE RETRO, STALINFASCISTAS!!!!! (Airton Sampaio).

Parem de falar mal do Piauí

Patrícia Mellodi. Foto sem crédito.

Patrícia Mellodi

Sou fã de todas as manifestações do humor, piadas, caricaturas, charges, comédias, enfim, considero o humor o supra-sumo da inteligência, pois nos desperta pras coisas mais sérias através do riso. E mesmo sabendo e considerando o fato de que muitas vezes o humor é cruel, pois tem sua matéria prima nas nossas falhas, nossos erros, nossos defeitos de nascença, acho que piada tem limite. E onde mora esse limite? Difícil, pois cairemos num lugar delicado que é o bom gosto. E gosto cada um tem o seu. Mas uma coisa é certa, se é repetitivo, afeta a alma, destrói, desanima, rotula, não pode ser humor do bem. O verdadeiro Humor vem inusitado e cutuca a ferida, mas na piada vem embutido respeito, às vezes até mesmo admiração, pois ninguém faz piada com o que não se considera. Só tem graça se nos diz respeito.

Não há nada mais chato que piada velha, cansada de guerra, que todo mundo já conhece o final. Essa história de sacanear, (perdão da palavra, pois não consigo achar outra) o estado do Piauí é do tempo do onça, é coisa de gente velha (no mal sentido) e desinformada. Posso fazer uma lista desses homens do humor que contribuíram pra consolidar essa imagem ruim sobre o Piauí, um dos mais bem sucedidos no intento, é o Juca Chaves, que deu melodia ao avacalhamento. Mas pra compreendê-los melhor, por respeito aos seus trabalhos e a história, tento ambientar-los no tempo e no espaço. Chego à conclusão de que eles são velhinhos, são do tempo do Piocerão, PIAUÍ, CEARÁ E MARANHÃO, os estados mais pobres do Brasil. Só que conseguiram parar de fazer piada de mau gosto com o Ceará, com o Maranhão, mas continuam pegando no pé do Piauí por pura ignorância, (será que burro velho não aprende?), pois em muitos aspectos, incluindo saúde, educação moradia, PIB, o Piauí dá de dez, e não para de crescer. Mas pra muita gente, quebrar paradigmas é perder o chão, ou a piada.
E o que me parece pior é ver jovens caindo na esparrela de confiar na opinião dos sábios anciões. Continuam a tradição falando mal do Piauí até o fim. Mas eu não vou por a culpa só nos homens do humor, vou à diante. A difamação é generalizada. A imagem do Piauí é ruim mesmo, embora lá a gente pense que seja diferente. Temos a ingenuidade de acreditar que podemos ganhar o Rio, São Paulo e muitos outros estados com o nosso carisma, nosso talento, e que trazer na identidade Made in Piauí não nos seja um problema. Ledo engano. Eu que moro fora há 15 anos e sofro com o pré julgamento depreciativo na pele e carrego nas costas o peso de ser do Piauí, posso falar de cadeira. E embora goste muito e respeite a cidade em que vivo não posso me fazer de rogado, eu sinto, eu vejo.

Quando uma modelo linda faz sucesso e fala que é do Piauí, ninguém acredita, quando uma escola de Teresina tem o melhor resultado do Enem, dizem que foi engano, roubo, quando uma cantora começa a aparecer vem um caminhão e passa por cima questionando sua qualidade, seu valor, quando um humorista vem do Piauí, sofre perseguição, maus tratos, quando uma atriz batalha e consegue bons papeis, têm alguma coisa errada… Se eu for retratar tudo o que já vi, não acabaremos hoje. O Piauí está associado ao atraso, à feiúra, a pobreza cultural e socioeconômica. Por mais que mostremos que não é bem assim, vale mesmo a velha imagem deturpada. Parece que temos a marca de Caim. Por isso valorizo demais os que são vitoriosos diante desse quadro e invejo os que ficaram em casa protegidos.

O mais triste é que diante de tanto achincalhamento configurado, nós e nossos filhos vamos esmorecendo, deprimindo, acreditando que somos feios e pobres, que não temos direito a respeito, admiração, sucesso, fama, que somos condenados ao ostracismo e ao papel de palhaço! - O quê que é isso! Me respeite seu moço! Eu existo!

Parem de falar mal do Piauí! Já perdeu a graça! Eu não vou dizer que lá o máximo, que a cultura é a mais rica, que o ensino é o melhor, que nossos políticos são um exemplo, que todo mundo é lindo, que o clima é ameno, pois eu teria primeiro que fazer um estágio na Bahia (adoro a estima deles), mas que nós somos especiais somos, e quem não tiver seus defeitos que atire a primeira pedra.

E agora, não por bairrismo, mas por ser fã da inteligência e do humor, eu dou uma dica: Leiam, escutem, se informem, conheçam o Brasil, visite o Piauí antes que ele vire a Dinamarca.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Michele Mascarenhas

Michele Mascarenhas. Foto de Kenard Kruel.

Um Dia Desses Eu Me Caso Com Você

Paulo Diniz / Torquato Neto

de tanto me perder, de andar sem sono
por essa noite sem nenhum destino
por essa noite escura em que abandono
uns sonhos do meu tempo de menino
de tanto não poder mais ter saudade
de tudo o que já tive e já perdido
dona menina, eu me resolvo agora
a ir-me embora pra longe daqui.

um dia desses eu me caso com você
você vai ver, você vai ver
um dia desses, de manhã, com padre e pompa
você vai ver como eu me caso com você

meu tempo de brincar já foi-se embora
e agora, o que é que eu vou fazer?
não tenho onde morar, vou caminhando
sem sono, sem mistérios, sem você;
pra terra onde nasci
não volto nunca mais
e esta cidade alheia tem segredos
que eu faço tudo pra não compreender

meu pobre coração não vale nada
anda perdido, não tem solução
mas se você quiser ser minha namorada
vamos tentar, não é?
não custa nada
até pode dar certo
e se não der
eu pego um avião, vou pra xangai
e nunca mais eu volto pra te ver.

Telegrama, de Zeca Baleiro a M. de Moura Filho

Banda Di Jorge e o encanto dos garotos de Altos.
Foto de Kenard Kruel (mas poderia ser de M. de Moura Filho).

Quando me fizeram o convite para ir ao Bar do Gordo, que fica dentro do Centro Artesanal de Altos, ao lado da Igreja, ver a apresentação da Banda Di Jorge, que iria encerrar a programação do 1º Salão do Livro de Altos, botei banca para não ir. E disse logo: não vou ouvir merda de banda de pagode, axé, sertanejo etc, vou não. Vou pra Fazenda Santa Paz, onde estava, namorar debaixo de uma mangueira. Mas, o Menezes Y Morais, o homenageado do evento, e meu grande amigo, insistiu tanto, que acabei cedendo, sob juramento que ficaria pouco tempo se o som me incomodasse. Caramba, ao entrar a Banda Di Jorge, formada por Márcio (vocalista e guitarra), Laécio (sax), Joel (baixo) e Ronilson (bateria), ao contrário do que imaginara, estava colocando a platéia maluquinha com o Telegrama do Zeca Baleiro:

Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...
Eu tava tristeTristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um vilão
De filme mexicano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
E um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nego sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito te ama!
Que tanto, tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Me dê a mão vamos sair
Prá ver o sol!
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...
Me dê a mão vamos sair
Prá ver o sol!

Eu mesmo me entreguei ao som dos garotos da banda Di Jorge, dei a mão ao Menezes Y Morais, e começamos a dançar (cada um com o seu par). E, quando eu me dei conta de mim, estávamos vendo o sol nascer no Bar do Gordo, que, nas horas de folga trabalha no seu salão de beleza, cortanto o cabelo dos bofes e das rachadas. Tarântulas, eu ouvi e vi: os garotos da banda Di Jorge romperam o contrato, avançaram além do horário estipulado, e tocaram a tocar, música após música, um som melhor do que o outro. E eu quebrei a cara. E eu mordi a língua. Bem feito, urso hibernador em sua Kenard Kaverna, pensar que em Altos não pode ter músicos, bons músicos, fazendo boa música, tocando boa música...!!! Pois é, meu caro M. de Moura Filho, sua roleflex não está com nada. Não tem ouvido musical algum. E logo você, que gosta tanto de pernas de pau e bandas de rock. Os garotos da banda Di Jorge, foram buscar o rock de Roberto Carlos, o rock de Erasmo Carlos, quando eles, cabelos grandes, novinhos em folha, vestido de roupas de plásticos e/ ou tecidos similares, em cores, com seus medalhões no peito e sua guitarras nas mãos, mandavam todo mundo para o inferno. Jovem Guarda, Eiê, Eiê, Rock. Rompimento estético. Rompimento político. Rompimento de Comportamento. Gerou a Tropicália gerada pela Geléia Geral. Estou beje, mas estou feliz. A noite. A madrugada adentro. Um gole aqui. Um Gole ali. Um poema no peito. E você chega assim desse jeito abrindo veredas no meu coração... (poeta William Melo Soares)...

É isso, meu caro M. de Moura Filho, vamos louvar o que merece, deixando o ruim de lado. Pena dizer, repito, que a sua roleflex não tem ouvido musical algum. Passe bem. Ou passe mal. Ou fique. Ou Vá. Ou não volte. Quem sabe, um dia, no Sariema (que existe, existe, mas ainda não creio), acertemos os nossos olhares. E vejamos mais do que cadeiras vazias em horários de não programação do 1º Salão do Livro de Altos... Ser do contra, eu aceito. Mas, contra o ser, não aceito. Tenho dito!

1º Salão do Livros de Altos

Menezes Y Morais, poeta, jornalista, professor altoense radicado em Brasília, agradecendo, emocionado, a homenagem recebida no 1º Salão do Livro de Altos. Foto de Kenard Kruel.

1º Salão do Livros de Altos

O professor e escritor Carlos Dias, intelectual número um de Altos, quando apresentava o poeta, jornalista e professor Menezes Y Morais, altoense radicado em Brasília, homenageado do 1º Salão do Livro de Altos. O Mestre, como sempre, mandou bem no seu recado. Tiro o chapéu para ele, que é do meu máximo gostar e profundo bem querer. Foto de Kenard Kruel.

1º Salão do Livros de Altos

O secretário de Estado da Fazenda Antônio Neto, que é formado em Letras, fez questão de prestigiar o 1º Salão do Livro de Altos, prometendo, inclusive, apoio político e financeiro para o próximo Salão. E olhem que ele não é mais candidato a candidato a governador, na sucessão do governador Wellington Dias. A bola da vez é outra vez o Antônio José Medeiros, deputado federal e secretário de Estado da Educação. (Foto de Kenard Kruel).

1º Salão do Livros de Altos

O vice governador Wilson Martins (e grande comitiva), esteve em Altos prestigiando o 1º Salão do Livro de Altos, em homenagem ao escritor altoense residente em Brasília Menezes Y Morais. Na foto, tirada por este urso hibernador em sua Kenard Kaverna, o vice governador Wilson Martins está entre o vice prefeito de Altos poeta e advogado Marcelo Mascarenhas e Michele, presidente do Instituto da Juventude, uma das organizadoras do evento.

1º Salão do Livros de Altos

Fifi Bezerra e o diálogo entre literatura e arte. Foto de Kenard Kruel.
Auditório lotado, platéia atenta. Foto de Kenard Kruel.

1º Salão do Livros de Altos

Kenard Kruel (Zodíaco), Cineas Santos (Oficina da Palavra) e Marleide Lins de Albuquerque (Edições Não Ser) falam da experiência de editar livros e abrem as portas de suas editoras para os escritores altoenses. Em breve, voltarão a Altos para ministrarem o curso Como Editar um Livro e Fazer Sucesso. Foto de Verusca.
Auditório lotado, platéia atenta (Zózimo Tavares e Assis Brasil).
Foto de Verusca.

1º Salão do Livros de Altos

Wellington Soares e a dica de como ler poesia na sala de aula.
Foto de Kenard Kruel.

1º Salão do Livros de Altos

Cineas Santos em sua palestra sobre o cordel nas escolas.
Foto de Kenard Kruel.
Auditório lotado, platéia atenta. Foto de Kenard Kruel.

Tarântulas no Sariema

Bezerra JP, J. L. Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e M. de Moura Filho. (Foto de algum fantasma que habita o sítio encantado do Sariema).

Bezerra JP, J. L. Rocha do Nascimento, Airton Sampaio e este blogueiro reuniram-se no sábado, 14, no Sítio Sariema, em Altos. O tema, fundamentalmente, a coletânea de contos. Para 2010, espera-se.

Discutiu-se sobre a entrega dos contos. Recursos para bancar a edição foi outro assunto. Reafirmou-se que cada um irá mesmo enfiar a mão no bolso. Nada de vendas de cotas de patrocínio ou recorrer-se à burra pública para levar ao leitor os contos.

Por outro lado, as poses dos confrades, acima, confesso, preocuparam-se. Vislumbrei, de logo, mas não sei para quando!, o fim do Grupo Tarântula. As mesas e cadeiras são visivelmente clássicas. Acusei-os de sonharem com alguma Academia de Letras. As desculpas de que provocavam o Kenard Kruel e o Rubervan Du Nascimento, guardando para eles assentos, não me convenceram. Mas preciso acreditar. Antes as poses do que as posses acadêmicas.

Sariema

Uma fotografia no Blog, mas como dói... não ter ido ainda lá.

O show não pode parar

Pianista Carla Ramos e Octávio Cesar. Foto de Dodó Macedo.

Dias 12 e 13, o cine teatro da Assembleia foi ocupado pelo Humor & Música de Octávio César, com a participação da pianista Carla Ramos.

Octávio é de Luzilândia - terra do meu compadre Albert Piauí -, passou por Salvador (BA) e Juiz de Fora (MG), onde participou de um grupo musical universitário, aportando no Rio de Janeiro em 1969, em plena febre dos festivais da canção, e lá encarou as lides teatrais e televisivas por quase três décadas.

Na Tevê Globo estrelou inúmeras novelas e programas de humor (Balança Mas Não Cai, Planeta dos Homens, Viva o Gordo etc), retornando ao Piauí, onde instalou-se nos arredores de Teresina - Cacimba Velha -, num sítio cujo clima é mais que aprazível ('Pô, tô usando meia pra dormir, tal o frio').

Voltando ao show. É de primeira de verdade. Causos hilários entremeados por músicas marcantes de unanimidades como Tom Jobim, Frank Sinatra, Luciano Pavarotti - e até uma imortal do Waldick Soriano -, tudo ao som do preciso piano de Carla Ramos.

Octávio César ofereceu um show impecável, merecedor de auditório superlotado - o que lamentavelmente não se viu, a despeito da ampla divulgação do espetáculo na mídia em geral.

Que as próximas plateias guardem sintonia com o talento de Octávio César.

1º Salão do Livro de Altos

O 1º Salão do Livro de Altos, que teve abertura no dia 13, sexta-feira, findou no dia 14, domingo, com aquele gostinho de queria mais pelo bom demais que estava. Mas, se apressem não, que a Michele, presidente do Instituto da Juventude, a responsável maior pelo evento, com o apoio da Fundação Quixote, do Instituto João Henrque Gaioso e Almendra Castelo Branco, Prefeitura de Altos e Governo do Estado do Piauí, dentre outros, já está com a mão na massa organizando o 2º SaliAltos. A estrela maior do evento foi o Menezes Y Morais, meu irmão de fé, meu irmão camarada, de longas e longas datas, altoense da gema, atualmente residente em Brasília. 2009, 1º Salão do Livro de Altos: Ano Menezes Y Morais. Homenagem justa para um dos nossos mais atuantes intelectuais. Cursos, palestras, debates, shows, recitais poéticos, exposição e venda de livros e outros produtos relacionados, paqueras, transas, filhos daqui a nove meses, de tudo aconteceu no SaliAltos, por isso FORMIDÁVEl, como bem diz a minha eterna musa Genu Moraes. Outra estrela de grandeza maior, Assis Brasil, esteve lá do começo ao fim, paparicado que só noiva virgem em noite de nupcias. O secretária da Fazenda, Antônio Neto, que poucos sabem que é formado em Letras, e atualmente um dos grandes mecenas do Piauí, deu apoio para o 1º e já renovou promessa (que cumpre) para o 2º SaliAltos. O vice governador Wilson Martins, e grande comitiva (Átila Lira, Ismar Marques, Magno Cerqueira... etc) se fez presente. Comprou livros, beijou umas donzelas, abraçou uns mancebos e se disse pronto a governar o Piauí por 30 anos. Quer passar da marca do seu antepassado Visconde da Parnaíba, que governou a Fazenda Piauí por 26 anos. Cineas Santos falou da importância do Cordel na educação dos nossos escolares. O Wellington Soares deu a dica de como Como ler poesia em sala de aula. O Kiko ajudou a moçada comentando as obras dos autores piauienses que figuram em nossos vestibulares. Eu ressumi 200 anos da literatura brasileira de expressão piauiense (1808 a 2009), com os devidos aplausos. E assim se passam três bons dias. Mas, as madrugadas foram bem melhores. E assim, atualizando Manuel Bandeira, digo: vou embora para Altos, lá tenho a mulher que eu quero debaixo da mangueira que escolherei. Livros, livros à mão cheia, ora, ora, pois, pois!. Por Jupíter, meu caro poeta e contista tarantular professor Airton Sampaio. (Foto de Kenard Kruel).

Wall Ferraz, a trajetória do mito

Caro amigo Kenard Kruel: no próximo dia 26, às 20 horas, estarei lançando, no plenário da Câmara Municipal, o livro Wall Ferraz, a trajetória do mito. Conto com sua presença. Abraço. (José Olímpio Leite de Castro).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mamãe mandou bater neste daqui...

Menezes y Morais. Homenagem em Altos.

Por Jupíter, meu caro poeta e contista tarantular professor Airton Sampaio, veja como eu me sair dessa, ou melhor, dessas: Amanhã, sexta-feira 13, fui convidado para a abertura do 1º Salão de Altos, às 18 horas. Para a solenidade da Academia de Letras da Região das Sete Cidades (no convite, a ausência do local), às 19 e 30 horas. Para o lançamento do livro A nova realidade-mundo: As transmutações em curso, de autoria do professor R. N. Monteiro de Santana, na Oficina da Palavra, às 19 horas. Para o seminário IV Edições Noites de História, no colégio Diocesano, às 18 e 30 horas. Como eu não tenho dinheiro para fazer clonagem, terei que optar. Em Altos estará o meu grande amigo Menezes y Morais e eu faço parte do grupo de apoio ao Salão do Livro. Portanto, vestirei, numa boa, esta pequena saia justa. Espero que não passe o vexame da moça lá de São Paulo. Que coisa, hein, Airton Sampaio. Aqui, em Teresíndia, nós teríamos (pelo menos eu falo por mim, cabra macho do Nordeste de São Luís) era tirado o resto do pequeno vestido dela e Ó... Lá, 700 boiolas, só pode, quiseram exterminar a moça. estão dizendo que o mundo acaba em 2012. Com coisas assim, eu acredito mesmo! Estou indo, que quem fica parado é poste!

Memórias da África

Gilson Caland. Foto de Kenard Kruel.

A partir do próximo ano todas as escolas do país deverão adotar a disciplina "História da África" e para oferecer subsídios aos professores piauienses será realizado o seminário "Memórias da África", que faz parte da edição 2009 do projeto Noites de História.

O evento acontece nos dias 13, 16 e 17 de novembro no au-ditório do colégio Diocesano e vai reunir palestrantes de renome. "Queremos oferecer subsídios para a construção do estudo da África e para a compreensão da relação entre este país e o Brasil", explicou o professor de história Gilson Caland.

Ele resgatou o projeto, criado em 1990 pelo poeta e advogado Paulo Machado e pelo sociólogo Ferdinand Cavalcante, com o intuito de lançar luzes sobre alguns temas relacionados à história do Piauí.

O seminário de 2007 teve como tema "A invenção do Piauí" e em 2008 foi a vês de "Rebeldes e contestadores". Nessa edição, quem irá abrir a programação é o professor e Mestre em História, Henrique Cunha Júnior (de Fortaleza-CE), que irá falar sobre "Educação e afrodescendência". No dia 16, o professor Doutor africano Francis Musa Boakari vai falar sobre a "Diáspora negra nas Américas". O poeta e Doutor em literatura afrobrasileira, Élio Ferreira, vai discutir o tema "Literatura e cultura africana nas Américas". No dia 17, último dia do evento, o antropólogo baiano Luis Mott irá falar sobre "A escravidão no Piauí Colonial". O tema é objeto de pesquisa do professor, se concentrando na cidade de Oeiras. O mesmo assunto será abordado pelo professor Dr. Solimar Lima.

Gilson Caland explica que o público-alvo do seminário são os professores, mas quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre o assunto pode se inscrever. A taxa de inscrição é de R$ 10 e ao final os participantes receberão um certificado de 20 horas, expedido pela Universidade Federal do Piauí. "A igualdade racial existe teoricamente. A criação da lei - bem como esse tipo de discussão - tenta corrigir a questão do racismo na história do Brasil", concluiu o professor.

Fonte: Jornal Diário do Povo.

Cid Dias: Piauí – obras que desafiam

O engenheiro Cid Dias (foto) finaliza mais um livro, intitulado Piauí – obras que desafiam. A obra é um estudo técnico sobre o porto de Luiz Correia, a barragem de Castelo, a navegação do Rio Parnaíba, o Porto Seco, a Transnordestinas e outras obras que não saem do papel. Nem do discurso dos políticos. Cid Dias é um dos candidatos à vaga do Dr. Alberto Silva na Academia Piauiense de Letras. Terá como concorrentes Tomaz Teixeira e Fonseca Neto. O engenheiro e escritor Norbelino Lira de Carvalho, que iria disputar, anunciou que não disputará mais e irá apoiar a candidatura do amigo Cid Dias. É um reforço de peso e medida. (Zózimo Tavares com Kenard Kruel).

Chagas Rodrigues

Chagas Rodrigues, cadeira vaga na APL.

(*) Jeane Keide

Parnaíba é uma cidade abençoada pelos anjos, iluminada por um sol que nos cobre de calor e criatividade o ano todo; e por luzes naturais a clarear caminhos.

Ao longo dos anos minha cidade tem se destacado pelo pioneirismo e audácia de partir na frente, quando está em jogo o interesse do povo e do país.

Foi assim com a exportação do charque; foi assim na indústria e no comércio; na literatura com Ovídio Saraiva, autor da primeira letra do Hino Nacional Brasileiro; foi assim com o turismo, com o teatro, com a Rádio Educadora, com outras iniciativas pioneiras.Temos a coragem de partir na frente, abrir caminhos, como fez Simplício Dias da Silva.

Seus filhos são ousados, dinâmicos, decididos, contribuindo significativamente para o progresso do país.São inúmeros os exemplos de coragem e determinação do povo parnaibano. Reis Veloso, o mais notável dos Ministros da República; Evandro Lins e Silva; Berilo Neves, Renato Castelo Branco, General Jonas de Moraes Correia, são alguns exemplos da presença de Parnaíba nos mais diversos segmentos da República, sem esquecer o nome do maior dos nossos romancistas, Assis Brasil.

No plano político podemos, citar três líderes mais recentes: Francisco das Chagas Rodrigues, Governador do Piauí, Deputado Federal, Senador da República; Alberto Tavares Silva, Prefeito, Deputado Estadual, Governador, Deputado Federal, Senador, Conselheiro da República; Dessa releção seria injusto omitir o nome do senador Francisco de Moraes Souza, pelo que representa no contexto político brasileiro.

O aureolado nome de Chagas Rodrigues está sendo consagrado pela Câmara de Vereadores de Teresina, que denominou de Palácio Senador Chagas Rodrigues a monumental sede do parlamento municipal, erguida às margens do Rio Poti, na Avenida Marechal Castelo Branco.

Nos próximos dias a Academia Parnaibana de Letras elegerá o sucessor de Chagas Rodrigues. Conhecedora da vida e da obra desse insigne Parnaibano, decidi apresentar meu nome à vaga, na esperança de conservar sua lembrança, relembrar fatos de sua vida, assegurar a permanência do seu nome nos anais da história.

Instituição rica de valores, ali está o que existe de melhor na cultura de nossa terra. Fazer parte desse seleto grupo de mulheres e homens notáveis é aspiração de todos os que amam ardentemente esta terra iluminada.

(*) Jeane Keide Melo dos Santos é professora, escritora e reside em Parnaíba.

IV edição Noites de História 2009

Poeta Élio Ferreira, em PHB. Foto de Kenard Kruel.

A partir de amanhã (13) Teresina irá sediar a IV edição Noites de História 2009, seguindo nos dias 16 e 17 no auditório Colégio Diocesano. O evento traz o nome Memórias da África devido o projeto de Lei n° 10.639 de 9 de janeiro de 2003 que altera a LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação ser aprovada, obrigando assim as escolas incluírem na grade curricular a disciplina História e Cultura Afro Brasileira.

Na oportunidade professores, mestres, doutores estarão realizando palestras durante o evento com temas que são referentes a cultura Afro. O evento conta com vários paoio entre eles da Ifaradá que é um núcleo que promove intercâmbio de jovens da região Afro com o Piauí.

Para o dia 13 o palestrante é o professor e mestre em História e Educação Afro Descendente da UFC, Henrique Junior às 18h30min. Dia 16 o palestrante Francis Musa Boakari – Africano residente no Piauí – Doutor em Educação Diáspora Africana nas Américas, Elio Ferreira Doutor em Literatura Afro Brasil e Poeta e no último dia a palestra é dos professores Luis Mott e Solimar Lima que abordaram o tema Escravidão Negra no Piauí Colonial.

Fonte: Portal AZ

Sonhos de um Sonhador

Governador W Dias com Frank Aguiar.

Uma parafernalha de equipamentos e cerca de 300 profissionais do cinema chamou a atenção de moradores e também de quem passava pelas ruas São João e Barroso, no Centro da cidade na noite de quarta-feira (11). O movimento fazia parte das gravações de uma das cenas do filme Sonhos de um sonhador, que contará a trajetória de sucesso do piauiense Frank Aguiar.

O governador Wellington Dias visitou o set de filmagens, uma casa antiga que se transformou na Pensão da Dona Chica, local onde o cantor morou quando saiu de Itainópolis para estudar em Teresina. Ele aproveitou para assistir a gravação de uma cena, onde o personagem de Frank Aguiar na juventude, vivido pelo ator Gustavo Leão, relata de forma bem humorada, momentos de dificuldades financeiras ao lado do humorista Amauri Jucá, que interpreta Chico Hilário, irmão do cantor.

Apesar do número de profissionais e da seriedade do trabalho, o clima das gravações era de descontração e o governador se entusiasmou com o trabalho de produção do filme. Fez questão de conhecer todas as funções da equipe e destacou que o resultado de tanto esforço deve elevar ainda mais a autoestima do piauiense. “É uma forma competente de mostrar o Piauí para outros estados e para o próprio Piauí”, enfatizou.

Wellington Dias acredita que, após a estreia, o piauiense irá entender a real importância de um filme como este, que mostrará não só as belezas do Estado, mas a história de vida de um homem que luta para conquistar seus sonhos, enfrentando muitas adversidades. “Essa história representa a luta dos próprios piauienses para vencer na vida e acaba encorajando as pessoas a lutarem por dias melhores. Para mim é uma alegria partilhar desse trabalho”, afirmou.

O cantor Frank Aguiar ressaltou que o Governo do Estado tem demonstrado muita sensibilidade por compreender a importância do filme para o Estado. Para ele, o longa será motivador. “É fundamental esse apoio do governo para a concretização do projeto”, explicou.

Texto Aline Moreira
Foto: Francisco Gilásio

1° Salão do Livro de Altos

1º Salialtos. Ano Menezes Y Morais. 2009.

Oficinas, lançamentos de livros, shows musicais e escritores renomados são alguns dos ingredientes do 1° Salão do Livro de Altos (SaliAltos), que será realizado de 13 a 15 de novembro, no município de Altos, a 41 quilômetros da capital Teresina.

O evento, que é uma parceria entre o Instituto Piauiense de Juventude (IPJ) com a Fundação Quixote, responsável pela realização e organização dos salões do livro já realizados em vários municípios do Piauí, irá homenagear nesta primeira edição o escritor altoense Menezes y Morais, atualmente morando na capital federal, Brasília.

Segundo o vice-prefeito de Altos, Marcelo Mascarenha, o 1° SaliAltos tem como objetivo central incentivar o hábito da leitura no município, além de descobrir novos talentos. “Esse será um momento muito especial na vida sociocultural de nossa cidade, elevando a autoestima da nossa gente e celebrando a trajetória da produção artística de um grande poeta piauiense e altoense, Menezes y Morais. Além disso, a ideia é incentivar o hábito da leitura e, claro, incentivar os altoenses é participar ainda mais desse ambiente literário”, comentou.

Durante os três dias várias atividades serão desenvolvidas voltadas, exclusivamente, para estudantes e professores dos ensinos Infantil, Fundamental, Médio e Superior. De palestras e bate papos literários a shows musicais e “salãozinhos”, voltados para o público infantil, compõem a programação.

Michele Mascarenhas, presidente do IPJ, revela que quase 30% da população de Altos é formada por jovens. “Um evento como esse só vem a somar com o trabalho que já desenvolvemos com os jovens no município. A ONG foi fundada em abril e já conseguimos excelentes resultados. O 1ª SaliAltos vai coroar esse trabalho”, afirmou.

Escritores e estudiosos de peso como Assis Brasil, Cineas Santos, Wellington Soares, Luis Romero e o próprio homenageado Menezes y Morais já confirmaram suas presenças, nesse que promete ser um dos maiores eventos dessa natureza do Piauí. “Esse será o primeiro de muitos. O que queremos é fixar esse evento no calendário oficial de Altos”, revela Marcelo Mascarenha.

Programação

Dia 13 - Sexta-feira

18h - Abertura

19h - Um pássaro que voou lonjuras, Carlos Dias (pesquisador e graduado em Letras)

20h - Civilização e Barbarie, Menezes y Morais (poeta e jornalista/Altos)

21h - Show Musical DiJorge (Altos) e Fátima Castelo Branco (Teresina)

Dia 14 - Sábado

8h - Literatura e erotismo, Joselita Izabel (professora Ms. da Uespi/Teresina)

9h30 - Bate-papo Literário

Reginaldo Melo - Reflexos da Alma

Carlos Machado - As diversas linguagens em Vidas Secas

Pedro Paiva - Desmistificação da História de Altos

10h30 - Leitura, letramento e ensino de Língua Portuguesa, Iveuta de Abreu Lopes (professora dra. da Uespi/Altos)

12h às 14h - Intervalo

14h - Graciliano Ramos e o Romance de 30, Jasmine Malta (professora Ms. da UFPI/Teresina)

15h30 - Bate-papo Literário

Escritores Carlos Dias, Dindinha e Kiko Fontenele

16h30 - O cânone épico ocidental, Luiz Romero (professor e editor/Teresina)

17h30 - O conto piauiense - Geração 70, Grupo Tarântula (João Luiz da Rocha Nascimento, M. de Moura Filho, Airton Sampaio e Bezerra JP)

18h30 - 19h30 - Intervalo

19h30 - Como e por que me fiz escrito, Assis Brasil (escritor/Parnaíba)

22h - Show Musical: Por Acaso (Altos)

Dia 15 - Domingo

8h - Obras piauienses cobradas nos vestibulares, Pedro Paulo (professor/Altos)

9h30 - Bate-papo Literário

Escritores Toni Rodrigues, Marcelo Mascarenha, Gilberto Paiva

10h3 Literatura Piauiense: das origens aos nossos dias, Kenard Kruel (escritor/Teresina)

12h às 14h - Intervalo

14h - Como ler poesia em sala de aula, Wellington Soares (professor e escritor/Teresina)

15h30 - Bate-papo Literário

escritores Kenard Kruel, Rodrigo Alaggi, Marleide Lins, Cineas Santos

16h30 - Das aplicações do cordel na escola, Cineas Santos (professor e editor/Teresina)

18h30 às 19h30 - Intervalo

19h30 - Torquato Neto, Edwar Castelo Branco (professor UFPI)

21h - Show Musical, Repentistas (Altos) - Vavá Ribeiro (Teresina)

Salãozinho - das 8h às 18h

Por Marcos Prado/CCom/ Governo do Piauí

programe-se

1º SaliAltos. 13 a 15, em Altos.

poesia, pois é, poesia!

da janela observo
meu tempo passar
de tempos em tempos
ele passa
como se passasse
só por passar

eu passo
passo a passo
passando o tempo
vendo o tempo passar

solda

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Retrato da nova realidade mundial

Professor Santana, editor da Fundapi.

Grande parte das idéias do professor Raimundo Monteiro de Santana está reunida no livro "A nova realidade-mundo: As transmutações em curso", que terá sua segunda edição - revista e atualizada - lançada na próxima sexta-feira, às 19 horas, na Oficina da Palavra. O livro também é assinado por Rita de Cássia Santos e foi editado através da Fundação de Apoio Cultural do Piauí (Fundapi).

A experiência de Raimundo Santana na abordagem de assuntos relacionados à história econômica é destacada pelo professor Francisco de Assis Veloso Filho, na contra-capa da obra. Segundo ele, Santana "abriu novas perspectivas de investigação no início dos anos 1990 com discussões sobre as grandes transformações na sociedade contemporânea, enfatizando desdobramentos dos avanços nos campos da cultura, ciência e tecnologia". Francisco de Assis relembra outros feitos do professor, a exemplo da realização do simpósio "O Brasil no limiar do terceiro milênio", promovido quando ocupava a presidência da Academia Piauiense de Letras.

Com o livro "Apontamentos para a história cultural do Piauí", Santana retomou as atividades de editor pela Fundapi. Em 2003, ele editou, em parceria com Cineas Santos, a coleção Independência e a obra "Pesquisas para a história do Piauí".

O secretário Washington Bonfim também dedica algumas linhas ao professor Raimundo Santana e o aponta entre os poucos "estudiosos que se dedicaram a compreender o Piauí, oferecendo contribuições efetivas para nosso conhecimento sobre a história, economia e sociedade locais". A versatilidade dos temas abordados está entre as características apontadas. Washington destaca ainda a carreira política do professor, que foi prefeito de Campo Maior, sua terra natal.

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais, Raimundo Santana já foi professor da Universidade de Brasília - UNB e deu relevante contribuição para a formação da Universidade Federal do Piauí. É no seu retorno ao Piauí, em 1990, "que ele desenvolve suas idéias mais ambiciosas", que migram da globalização aos temas ligados à cultura e ao patrimônio imaterial de nossas sociedades.

Sobre o tema da obra discorre Rita Santos: "A constituição de uma realidade-mundo é um processo apenas começado. Sua compreensão e, principalmente, a concepção de uma arquitetura desejada para sua evolução se colocam, hoje, como grandes desafios aos indivíduos e organizações. A questão de fundo mais fundamental é como as ações humanas interagem com a base material e o tecido de tradições e instituições disponíveis para formar uma realidade que se tece sob novos parâmetros espacio-temporais".

Novembro, mês de Torquato Neto

Caricatura de Torquato Neto, o criador do Movimento Tropicália, sobre capa de livro de Tarsila do Amaral. (Netto).

Priscyla

Queixo-me às rosas, que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti.

I Encontro Piauiense de História Cultural

Kenard Kruel, Priscyla e Renata Pitta. Parnaíba Norte do Brasil.

Kenard Kruel

Sem pé, nem cabeça. Foto de Luiza Carvalho.

Deusinha

No Bar dos Camaleões, na Beira do Rio Parnaíba, com sua sagrada Coca Cola (e quatro pedras de gelo). É isso ai! Foto de Kenard Kruel.

Alresc outorga Diploma Ovídio Saraiva

A Academia de Letras da Região de Sete Cidades (ALRESC) promoverá solenidade no dia 13, às 19:30 horas, em comemoração aos 200 anos de lançamento do livro Poemas, que foi a primeira obra literária de um escritor piauiense, tendo como autor o poeta Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva. Na sessão solene da ALRESC será conferido o Diploma do Mérito Cultural Poeta Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento das letras no Piauí, nas diversas áreas da inteligência. (José Fortes Filho, foto, presidente da ALRESC). PS: sem saber o local, não irei (Kenard Kruel, autor da foto).

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Amarelão

E não é que os Pós69istas loucos por uma academia de letras Kenard Kruel, Rubervam du Nascimento, Adrião Neto, Cineas Santos e Bezerra JP amarelaram e não se inscreveram para a vaga de Alberto Silva (foto) na APL - Academia Piauiense de Letras? Ó tempora! Ó mores! (Airton Sampaio).
Luiza Carvalho, na Kenard Kaverna, me fazendo cometer o crime de contratar pirralha infantil para o duro trabalho de digitalizar as mais de 5 mil históricas que eu tenho e vou doar para o Museu de Imagem e do Som de Teresina. Foto deste que vos digita.
Deusinha, minha secretária, fazendo pose, na Kenard Kaverna, para minha outra secretaria Luiza Carvalho. Ai que vida!, meu caro poeta e contista tarantular Airton Sampaio, Ai que vida!

Cícero Filho, nosso cineasta de plantão...

Cícero Filho. Foto de Kenard Kruel.

Hoje, pela manhã, me encontrei com o cineasta Cícero Filho na porta do gabinete do Franzé, que é o Ordenador de Despesas do Estado, lá na Secretaria da Fazenda. Acho que ele estava lá para tratar da liberação dos 50 mil reais prometidos pelo governador Wellington Dias para a produção do seu novo filme - Flor de Abril, drama que mostrará a história de uma jovem em busca do amor. "É um filme delicado que explora o sentimento e vai mexer com quem estiver assistindo. Vamos mostrar como algumas pessoas são capazes de fazer loucuras para conquistar o amor e que, ao mesmo tempo, ele é um sentimento possível e que não se pode desistir dele”, afirma Cícero Filho, acrescentando que irá manter as raízes nordestinas através da escolha das locações e da regionalidade no scrpit, sem deixar de lado os ares de grande produção. O filme será rodado no Piauí, Maranhão e São Paulo. Orçado em 165 mil reais, Flor de Abril já possui mais de 300 pessoas no elenco e tem como protagonistas nomes nacionais como Dayse Bernardo, de São Luís, e Eric Gaigher, Vinícius Fiamini e Diego Soares, de São Paulo.

Cícero Filho, natural das terras do João do Valle (Pedreiras - MA), é formado em jornalismo e tem muito experiência por trás das câmeras. Já realizou mais de 25 filmes, o primeiro feito aos 12 anos de idade. Filho do seu Cícero, proprietário de uma TV comunitária em sua cidade, o menino pegava o equipamento do pai escondido para realizar produções caseiras junto com os vizinhos e colegas de escola. “Sempre gostei de criar, gosto de reinventar o meu dia-a-dia e o cinema foi onde encontrei a oportunidade de realizar isso todos os dias”, revela.

Ao entrar na adolescência escolheu o jornalismo como curso superior, área que achou mais próximo ao cinema. Foi quando veio para o Piauí e ingressou na Faculdade Santo Agostinho (FSA), local onde encontrou apoio para suas produções. “A faculdade tem sido de fundamental importância para o meu desenvolvimento profissional. Desde o começo recebi o apoio integral da entidade, especialmente, com o fornecimento de equipamentos para as minhas produções”, ressalta.

Com o Entre o amor Cícero Filho informa que iniciou uma nova fase mais profissional, mais séria. “Eu fazia filmes de brincadeira. Com esse eu levei tudo muito a sério, e foi difícil de fazer. Pra você ter uma idéia, começamos a gravar em 2004 e de lá até o momento da finalização, em 2006, tivemos muitas pausas, atores que desistiam, dinheiro que não tinha”, lamenta.

Entre o amor e a razão conta a história de uma família de sertanejos que vive praticamente na miséria. A história começa mostrando o casamento de Elizeu e Cláudia. Ela, moça bonita que foi adotada por uma família rica, ganha o desprezo da mãe adotiva ao se apaixonar por um cara pobre. Sai da vida de luxo que levava e vai viver num casebre com o marido e três filhos.Cansado de ver a família sofrer, Elizeu decide deixar o povoado onde mora, no interior do Maranhão, e vir tentar a sorte em Teresina. A cena em que a família se despede sempre provoca lágrimas em quem o assiste.

Em 2007, com o filme Ai que vida!, Cícero Filho alcançou o seu o primeiro sucesso. Além de conquistar salas de cinema de várias cidades do Piauí e Maranhão, bem como festivais da Paraíba e Brasília, com o patrocínio do Governo do Estado, o filme chegou a produzir 300 cópias de DVD. O resultado do seu trabalho pode ser comprovado com a entrevista que deu no programa do Jô Soares, dia 3 de setembro próximo passado.

Cícero Filho, que, entre outras profissões, já foi porteiro de motel, começou o programa visivelmente nervoso e, não segurando as lágrimas, chorou ao rever cenas do seu primeiro longa, Entre o Amor e a Razão, exibidas durante a entrevista. - "Mas o que houve? Se emocionando com o próprio filme? Você não tinha visto é?", tentou descontrair Jô Soares. Ele explicou que estava lembrando das dificuldades que é fazer um filme como esse.

Jô fez uma espécie de clipe com algumas das mais antigas gravações de Cícero Filho, incluindo aí até mesmo um tosco Super Filho, quando Cícero Filho ainda era criança e se vestia de super-herói. Em seguida mostrou as cenas do seu maior sucesso, Ai Que Vida, e perguntou: -"Esse filme é sucesso, visto em todo Nordeste. Você esperava por isso?". Cícero Filho pensou um pouquinho e foi sincero: - "Para falar a verdade não. É um tiro no escuro. Não conto com apoio de ninguém, só com o dos amigos. Faço esses filmes sem recursos, não tenho equipamentos e uso uma mini-DV. Não esperava esse sucesso".

“O sucesso de Ai que vida foi uma surpresa, mas acredito que isso foi resultado do tipo de produção, que é uma comédia que explora a regionalidade. As pessoas assistem ao filme e se vêm nele e isso aproxima o cinema da população. No novo filme resolvemos não deixar cair essa intimidade com o público”, ressalta Cícero Filho.

Além do filme “Flor de Abril”, que ainda está na fase de filmagens, Cícero Filho tem planos para relançar o seu primeiro longa, a comédia romântica Dê uma xanxa ao amor. Feito em julho de 2008, a produção recebeu uma nova edição e será lançado na Faculdade Santo Agostinho, em junho deste ano. O filme também trata do amor e já foi exibido na faculdade, onde recebeu aprovação do público. A idéia agora é que o filme entre no circuito de cinemas alternativos.

Enquanto batia este papo super agradável com o Cícero Filho, lembrando, inclusive do no Cine Clube, do nosso Cinema de Arte, entre outras ações na área do cinema, que ele ficou super curioso, um senhor que andava com as mãos cheias de DVDs do Ai que vida, ia vendendo o danado para os passavam pelo corredor da Fazenda. Como na Secretaria da Fazenda está o cofre do Estado, e lá todos ganham super bem, não foi difícil ficar de mãos abanando um monte de cédulas de dez reais, preço de um DVD. Eu, quando me dei por mim, fiquei a ver navio. Não sobrou um sequer. Da próxima vez, vou logo garantindo o meu, antes que outros aventureiros lancem mão da arte do rapaz!

A lavadeira, a menina e o rio


O sabão gasto e fosco. Agachadas, saias entre as pernas, elas lavavam os molambos como se fossem novos. Depois os esfregavam na pedra esbranquiçada, alternando esse gesto com pequenas molhadelas, nas pontas, ora de um lado, ora de outro do tecido. A alguns metros, panos ensaboados e esfregados esperavam pelos raios para se tornarem mais brancos. Mergulhados na água, as peças desafiavam, majestosas e dançantes, a correnteza. As mulheres pareciam não pensar, repetiam o movimento com automatismo e zelo. Depois do ritual, os panos eram torcidos. Se grandes, tais como redes ou lençóis, a tarefa era coletiva; se pequenos ou íntimos, a labuta era individual. Depois, eram torcidos e arrumados cuidadosamente na bacia de alumínio. Uma a uma, elas faziam coques no cabelo e sobre este punham uma rodilha para amenizar o peso da bacia e acomodá-la melhor na cabeça. Algumas delas, antes desse ritual, tomavam um rápido banho, outras, davam as costas para a água pondo suas mãos franzidas e foscas para auxiliar na subida de seus utensílios areados e reluzentes. Poucas voltavam seus olhos para a água. Amanhã estariam de volta com outros trapos tão gastos como os de hoje. A menina aprendiz olha a cena. Logo seria uma daquelas muitas mulheres e então contaria ao rio, sem ser ouvida, suas mágoas, e, nesse meio tempo, também não o veria mais. Agora, ela ainda o via com interesse. Por isso, voltou sua cabeça, pelo menos uma vez, para se despedir de suas águas volúveis. Sua pele ainda não estava curtida de sol e seus olhos ainda fixavam o outro com interesse, ainda se movimentavam em busca do mundo. As mulheres, indiferentes ao rio e à menina, caminhavam em direção a suas vidas. Os semblantes eram fechados e nunca olhavam para os lados. Iam, conformadas, cumprir seu ritual de marasmo e amargura. Esperariam seus maridos taciturnos, que não lhes lançariam nenhum olhar, nem para amar, nem para cobrar. Em casa, acenderiam os fogareiros, a chaleira para o café. Os homens continuariam a picar o fumo. À noite, quem sabe, se importariam um pouco com elas, enquanto durasse o desejo. Amanhã, elas estariam novamente no rio, a alvejar os panos cerzidos, mas úteis. Continuariam, assim, seu embate, sem palavras, com as águas e com a vida.

Deoclécio Dantas Ferreira

Deoclécio Dantas Ferreira nasceu em Teresina, a 4 de julho de 1938. Jornalista, radialista e apresentador de TV. Foi editor dos jornais “Folha da Manhã”, “O Dia”, “Jornal do Piauí”, “Voz do Piauí”, “O Estado” e “Diário do Povo”. Redigiu o “Jornal de Floriano” e foi correspondente da Revista “Veja”. Participou dos Congressos de Jornalistas realizados em Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Trabalhou no Departamento de Rádio-Jornalismo da “Rádio Pioneira”, tendo sido diretor e redator de jornalismo. Foi repórter e apresentador da “TV Rádio Clube” e da “TV Pioneira”, atual “TV Cidade Verde”. Exerceu o cargo de Coordenador de Comunicação Social da Universidade Federal do Piauí. Dirigiu a Assessoria de Imprensa da Associação Comercial do Piauí. Comandou a Imprensa Oficial que em sua gestão foi transformada em Companhia Editora do Piauí. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura. Exerceu o mandato de vereador de Teresina, de Deputado Estadual e de Vice-prefeito de Teresina. Chefia o Gabinete do Tribunal de Contas do Estado. Bibliografia: “Dá Licença? – Um Panorama do Piauí e do Brasil pelo Olhar Atento de um Jornalista” (2002) e “Dom Avelar Brandão Vilela, Uma Vida a Serviço da Paz” (2006), retratando sobre a vida e a obra de D. Avelar Brandão Vilela, arcebispo metropolitano de Teresina nas décadas de 50, 60 e 70. Publicou pesquisa sobre a história do Palácio do Comércio e o livro “Marcas da Ditadura no Piauí” (2008), um relato minucioso do regime militar no Estado, com repercussão na política e na imprensa. (Fonte: Adrião Neto).

Lula e a Política da inteligência

Lulalá. Foto de Rafael Neddermeyer.

Aclamado de pé pelos participantes do 12º Congresso do PCdoB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu ao partido pelo apoio e lealdade e destacou a contribuição dos comunistas para o seu governo e o país. No discurso, ele aproveitou para responder às recentes críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à sua gestão e às declarações do cantor Caetano Veloso, que o chamou de analfabeto. “Na mesma semana em que fui tachado de analfabeto, ganhei o título de estadista do ano”, disse.

Lula, que discursou por mais de uma hora, começou sua intervenção resgatando a histórica relação entre PT e PCdoB, que já dura mais de 20 anos. Comparando a aliança ao convívio de um casal, ele lembrou que nunca houve brigas ou rompimento entre as duas legendas. Ressaltou que a sigla comunista esteve ao seu lado nos momentos bons e ruins, citando o apoio que recebeu desde a eleição de 89.

“Quando as pesquisas de opinião tiravam tanto voto meu que pensava que ia terminar a eleição devendo pontos ao Ibope, conversei com (João) Amazonas que era a hora de pensar a candidatura”, contou, com humor. Segundo Lula, ele ouviu do líder comunista que não era possível fazer a candidatura de um operário querendo agradar a todos os setores e que a campanha deveria ser dirigida aos trabalhadores. “O Amazonas era o homem que apaziguava as brigas, as divergências, entre Brizola, eu e Arraes”, elogiou, ao mencionar a capacidade do PCdoB de construir a unidade. “Definimos então que as relações entre PCdoB e PT deveriam ser uma coisa mais profunda, que, respeitando as soberanias de cada partido, estivéssemos juntos na maioria das lutas. E não poderia deixar de agradecer ao PCdoB”, colocou, lembrando as eleições de 94, 98 e 2002. “Dentro do PT teve gente que achava que eu não devia mais ser candidato. Mas, no PCdoB, não havia ninguém que dissesse isso”, afirmou, agradecido também pelo fato de o partido não “ter abandonado o barco” na crise de 2005.

Diante de uma plateia repleta de integrantes de movimentos sociais, o presidente falou sobre a época de sindicalista e defendeu: “Deus queira que muitos operários cheguem à presidência, por que aí a gente descobre a responsabilidade do cargo quando quer fazer um governo sério. (...). Na oposição, a gente diz que acha isso e aquilo. Na cadeira, você decide ou não decide, não tem trelelé. E tem que olhar a correlação de forças e as instituições”, discursou, rendendo loas também aos movimentos sociais e, em especial, à UNE.

Dirigindo-se à mesa, o presidente destacou as qualidades dos comunistas que ocuparam ministérios em seu governo, “por que tiveram caráter e lealdade”. Segundo ele, o “PCdoB foi exemplar nesses sete anos de governo”.

Continuidade - Brincalhão, Lula falou de certa “tristeza” em, pela primeira vez, não ter seu nome na cédula da disputa presidencial. “Vai ter um vazio na minha cabeça”, brincou, mencionando a pré-candidata e ministra Dilma Rousseff como a possibilidade de “continuidade de um projeto”.

Referindo-se à juventude presente no Congresso, Lula também brincou com a possibilidade de se candidatar a uma vaga no Prouni quando não estiver mais na presidência. “Talvez a UNE me aceite (...), mas acho mais fácil a UJS me aceitar”, divertiu-se.

“Prestem atenção que esta coisa é muito séria. Quem é prefeito, governador, sabe perfeitamente que um estranho no ninho pode desmontar tudo que foi feito em apenas dois anos (...). Por isso a continuidade é extremamente importante”, disse.

Recado a Caetano e FHC - Com ironia e sem citar nomes, o petista respondeu críticas sobre a sua falta de formação universitária e mandou recados ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Se tem uma coisa inteligente é a classe operária. Tem muito intelectual no Brasil que pensa que não. (...) Essa semana eu fui chamado de analfabeto (...) e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano”.

A declaração foi uma referência ao fato de que, no último dia 5, em uma entrevista, o cantor Caetano Veloso chamou o presidente de analfabeto e disse que, ao contrário da Marina Silva e do Barack Obama, Lula não saberia falar e seria cafona e grosseiro.

“Tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos no colégio. Não tem nada mais burro que isso. A universidade dá conhecimento. Inteligência é outra coisa. E a política é uma das ciências que exigem mais inteligência do que conhecimento. Inteligência para saber montar equipe, tomar decisões, não está nos livros, mas no caráter e na sensibilidade”, completou. Com ironia, ele conclui: “mas não importa. As pessoas falam o que querem e ouvem o que não querem. A vida é dura”.

Soltando indiretas para Fernando Henrique Cardoso, que no último domingo divulgou artigo falando de um “subperonismo” no governo petista, Lula alfinetou: “Compreendo o ódio, porque um intelectual ficar assistindo um operário que só tem o quarto ano primário ganhar tudo que ele imaginava que ele pudesse ganhar e não ganhou...”, disse Lula, interrompido por palmas e gritos de guerra. “Tem presidente que foi estudar dois, três anos lá fora. Eu não”, disse o presidente, afirmando que, diferente de outros presidentes, ele precisou provar desde o dia que nasceu que tem competência. “Tinha clareza, e o PCdoB sabe disso, de que se fracassássemos, levaria mais 150 anos para outro operário ser presidente”, colocou. Ainda fazendo referência a Caetano, Lula declarou, com graça, que “um país governado por um analfabeto vai terminar realizando um governo que mais investiu em educação”. E reposicionou o alvo no ex-presidente tucano: “Estamos fazendo uma vez e meia o que eles não fizeram em um século. (...) O Fernando Henrique Cardoso achava que nós seríamos um fracasso e que ele poderia voltar”.

O precedente Lula e as instituições poderosas - O petista contou ter participado recentemente de uma reunião com catadores de papel, na qual teve “a coragem de dizer para um catador: você pode ser presidente da República desse país, porque vamos deixar um legado”. Lula, contudo, afirmou que chegar ao governo não é o mesmo que chegar ao poder, “Há instituições poderosíssimas”, colocou.

O presidente citou, então, exemplos em que houve pressão contrária às suas posições quanto à política internacional do Brasil. “Queriam que eu batesse no Evo Morales. O Evo queria o gás que era dele. Eu poderia ter feito uma bravata com ele, já que a Bolívia é um país menor. Mas eu não conseguia enxergar como é que um metalúrgico de São Bernardo ia querer brigar com o presidente da Bolívia. Queria brigar era com o Bush, mas ele virou meu amigo e nunca precisei brigar com ele”, brincou. Sobre as críticas acerca da revisão do tratado de Itaipu, Lula lembrou que houve quem dissesse que o presidente não iria entrar em briga com o Paraguai por ser “frouxo”. “Como é que um país do tamanho e com as riquezas do Brasil vai brigar com o Paraguai? Preferi construir um acordo que vai dar chance de o Paraguai se desenvolver”. Sob o olhar atento da militância comunista, Lula falou também sobre o papel do Brasil na região e as dificuldades de construir a Unasul. “O Brasil não pode se comportar como se tivesse a hegemonia. Tem que ser como um companheiro mais velho, contemporizar”. E divertiu-se ao dizer que propôs a criação dos Conselhos de Defesa e de Combate ao Narcotráfico na Unasul, para poder dizer: “Obama, não precisamos de bases militares. Vamos cuidar nós mesmos do combate ao narcotráfico e você vá cuidar dos consumidores”.

Manipulação da informação - Embora não tenha feito questionamentos diretos a veículos de comunicação, o presidente por várias vezes mencionou o fato de as informações importantes sobre o país não chegarem à população. E chegou a dizer que, se dependesse de alguns meios de comunicação, ninguém saberia de nada. O presidente citou manchetes de jornais. “Uma delas, dizia: contra Lula, o PSDB treina cabos eleitorais no Nordeste. Ou seja, é um pouco o que os alemães faziam com os judeus. Ou seja, vamos treinar gente para não permitir que eles sobrevivam”, comparou o presidente.

Ele mencionou ainda uma matéria cujo título se referia à uma cobrança da ONU à meta brasileira de emissão de gases. “A ONU não tem condições de cobrar um milésimo do Brasil”, respondeu. Além do presidente Lula, a mesa do ato foi composta por diversas lideranças políticas e dos movimentos sociais, entre elas (da esquerda para a direita), João Pedro Stedile (MST); Wagner Gomes (presidente da CTB); Ricardo Berzoini (presidente do PT); Luciana Santos (secretária de C&T de Pernambuco); Rodrigo Rollemberg (deputado federal PSB-DF); os senadore Aloisio Mercadante e Inácio Arruda; Paulo Vanucchi (secretário especial de Direitos Humanos); o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães; Luiz Dulci (secretário da Presidência); Tarso Genro (ministro da Justiça); Renato Rabelo (presidente do PCdoB); Orlando Silva (ministro do Esporte); Edson Santos (ministro da Igualdade Racial); o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; Augusto Chagas (presidente da UNE); Daniel Almeida (líder do PCdoB na Câmara); Renildo Calheiros (prefeito de Olinda); Haroldo Lima (presidente da ANP) e Aldo Rebelo (deputado federal).

De São Paulo, Joana Rozowykwiat

Kotscho: Prefiro a Maria Bethânia

Publicado por Ricardo Kotscho - De Caetano Veloso falando sobre Lula ao dar seu apoio à candidata Marina Silva: “Marina Silva é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”. Minha opinião sobre Caetano Veloso:Já foi um bom compositor, é um cantor mediano e nunca deixou de ser um analfabeto político - uma mistura de Rui Barbosa em compota com ACM em conserva, que se acha o gênio da raça. Prefiro Maria Bethânia.

Sobre a baianada chiquita bacana de Cae

Regina Du (Arte de Netto).

Caetano fez uma baianada chiquita bacana

(Clique na capa e amplie os detalhes)
Realmente, Regina, o Caê da dona Canô ainda não viu nada. Dê um escutada neste You Tube pra sentir o que já andam cantando!: (Netto).
http://www.youtube.com/watch?v=SXmXf0cn9MA

domingo, 8 de novembro de 2009

Claudete Dias

Claudete Dias em entrevista ao Moisés Bezerra da TV O DIA.

Barra Grande. Um lugar de fé, esperança e amor. Encanta a todos que procuram encontrar um lugar parecido com o paraíso. Sua praia, durante a mudança da maré, proporciona várias paisagens lindas e diferentes. Habitada por um povo amigo, hospitaleiro e fiel, consegue se manter como se ainda fosse uam antiga colônia de pescadores. No povoado é difícil localizar uma pessoa pelo nome de batismo. Todos, têm um apelido. Pois, meu caro poeta e contista tarantular Airton Sampaio, foi para lá que foi a professora, escritora e pesquisadora Claudete (de Miranda) Dias, nascida em São Raimundo Nonato, a 11 de janeiro de 1951. Filha de Raimundo Ribeiro Dias e Ester Miranda Dias. Sua origem indígena é sua identidade mais forte. Tanto que assume numa boa o codinome, “Índia Pimenteira”. Uma referência inegável a sua etnia. Com esta forte identificação, Claudete está revisando mais uma de suas pesquisas que serão colocadas em livro. Trata de uma das páginas mais sangrentas da história do Piauí, a matança dos índios de várias nações que habitavam o estado e foram dizimados ou expulsos durante o processo de colonização. Licenciada em História. Fez especialização e Mestrado em História do Brasil. Fez Doutorado em História Social. Não satisfeita foi ao pós-doutorado. Fez curso de Interpretação e Técnica Vocal. Lecionou na rede oficial de ensino da Piauí, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade Federal do Piauí.. Tem experiência em TV. Participou dos filmes “Adão e Eva no Paraíso ao Consumo”, “O Terror da Vermelha”, ambos com Torquato Neto. “O Guru das Sexy Cidades”, em Super 8. Bibliografia: Movimento Popular e Repressão: A Balaiada no Piauí (1985); Balaios e Bem-Ti-Vis: a guerrilha Sertaneja (1995); Que História é Essa (2005); Cheiro de Amor, poemas. Tem vários trabalhos publicados nas revistas Presença, Cadernos de Teresina, Espaço e Tempo e em outros periódicos. Da última vez que a vi, no Teresina Shopping, ela me mostrou a boneca do livro “O Piauí que o Brasil não Vê”. Trata-se de um trabalho mais complexo porque conta com muitas imagens entre fotos, mapas e ilustrações. Ela prepara duas versões do mesmo conteúdo. Uma de luxo em tamanho revista e com acabamento, gramatura e projeto gráfico rebuscados pela extrema qualidade. A outra em formato livro, mais acessível pelo valor de custo aos estudantes. Os livros deveriam ter sido lançados (ou já foram lançados) este ano. Como ando desligado do mundo fora da Kenard Kaverna, não sei. Mas, vou me informar e informar vocês. Pensando nisso, ou melhor, aqui, craniando a vida que eu levo aqui, qualquer dia, deixo a Kenard Kaverna e vou para perto dela que, a cada dia, fica vinho da melhor safra. Claudete Dias é do meu máximo gostar e profundo bem querer.

Paulo Machado fala sobre CDA

O poeta, historiador e defensor público Paulo Machado falou sábado passado, às 9 horas, na Casa da Cultura de Teresina, sobre o poeta Carlos Drummond de Andrade, participando do Projeto Esforço Cultura, sob organização do Puty Teatro Labore. O Projeto Esforço Cultural funciona através de encontros programados de, no máximo, três horas, denominados edições, em que pessoas de reconhecido saber em áreas específicas desenvolvem atividades e temáticas diversas, relacionadas à arte e a cultura. Ele acontece desde o mês de maio e faz parte do programa de formação continuada do grupo Puty Teatro Labore, que atualmente realiza seu projeto de pesquisa em linguagens cênicas no Teatro do Boi, na zona Norte de Teresina. Todas as edições do Esforço Cultural são gratuitas. O objetivo maior do projeto, são as teias de relacionamentos entre artistas, grupos, sociedade e pesquisadores que eles podem construir através da troca de conhecimento. (Por Jupíter, Airton Sampaio, quem escreveu esse texto, que eu surrupiei da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, tendo que fazer um esforço enorme para compreendê-lo, não entende patavina nenhuma de redação jornalística. Pois, pois!, eu me propronho a ministrar, também gratuitamente, um curso básico de redação jornalística para o povo de redação jornalística da Fundação Cultural Monsenhor Chaves). Sem querer cagar goma... mas, disso eu entendo um pouco mais...

Joseli Lima Magalhães

Joseli Lima Magalhães nasceu em Fortaleza, a 17 de fevereiro de 1976. Filho de José Magalhães da Costa e de Júlia Lima Magalhães. Formado em Direito, pela Universidade Federal do Piauí. Cursou a Escola Superior de Magistratura do Estado do Piauí. Fez Curso de Especialização em Direito Processual, pela Universidade Federal de Santa Catarina e Mestrado em Filosofia, pela Universidade Federal de Pernambuco. Doutorando em Direito pela PUC MG. Exerceu o cargo de Assessor Jurídico do Tribunal de Justiça do Piauí. Professor e Vice-Reitor da Universidade Estadual do Piauí. Exerceu a função de Juiz Leigo, em Teresina. Bibliografia: “Código de Processo Civil na Visão do Tribunal de Justiça do Piauí” (2001); “Pequenas Memórias de Meu Pai Magalhães da Costa” (2002); “Tópicos Processuais de Acesso à Justiça” (2003); “Cosmovisão de Idéias” (2004); “Da Recodificação Do Direito Civil Brasileiro” (2007), com prefácio do jurista José Ribamar Garcia, e outros. Coordenou o livro “Tópicos Polêmicos e Anais do Direito” (2003). Participou da “Antologia Escritores”, Volume III (2004), organizada pelo Desembargador Tomaz Gomes Campelo. Mantém uma coluna semanal de comentários de obras jurídicas e literárias (“Estante de Livros”), no jornal Meio Norte. (Foto de Kenard Kruel).

sábado, 7 de novembro de 2009

Música no Encontro dos Rios

O projeto Música na Praça apresenta amanhã, domingo, a partir das 10 horas, o músico e arquiteto Júlio Medeiros (foto) no Parque Ambiental Encontro dos Rios. Por lá, também, a Banda de Música Carlos Gomes, sob regência do maestro Witemberg. Além da apresentação do Grupo de Dança Jaspe, da Igreja Batista da Catarina. Boa pedida, com piapinha e uma mangueira, que ninguém é de ferro.

Frank Aguiar

O folgado do Frank Aguiar, que se encontra em Teresíndia acompanhando as filmagens do Sonhos de um Sonhador (o título ruim de dar dó na gente já diz o conteúdo do filme), deu explicação de que tirou um mês de licença da prefeitura de São Bernardo do Campo, onde ele é vice-prefeito. Ele alega que é licença sem vencimento. O lançamento do filme é prometido para maio de 2010. Por Jupíter, caro Airton Sampaio!, já comprei minha cópia pirata no Palácio dos Comelôs, ali da beira do Parnaíba.

Sônia (en) Terra em Paris

Do ator Willian Tito, em seu twitter: o Piauí ficou fora da programação da Semana da Consciência Negra do Ministério da Cultura para as cidades brasileiras. - Por Jupíter, meu caro poeta e contista tarantular Airton Sampaio, alguém precisa avisar a este menino (mais perdido do que achado) que a Sônia (En) Terra, presidente da FUNDAC, terreiro do Coisa de Negro, está em Paris. Portanto, nada de Consciência Negra. Lá é Coisa de Branco. Quem pode pode, quem não pode se sacode... E fui, que já tenho processo demais nas costas...

Oração para um homem chamado alberto

Alberto Silva. Foto sem crédito.

(*) Luiz Ayrton Santos Junior

Conheci o Dr. Alberto Silva através de uma lâmpada e de uma luz. Era a inauguração da Avenida Frei Serafim. Ainda menino, aos 9 anos, nunca esqueci quando encarei o céu e vi uma luz mágica e forte brotar de um poste na avenida. E o rosto das pessoas que foram ao canteiro da avenida no dia que o Governador acendeu as luzes. Lembro que muitos choraram e as pessoas diziam 'que a noite virara um dia' e Teresina, desde aquele momento, nunca mais conseguiu ficar feia. Alberto preparou-a para o futuro, embelezando-a de ponta a ponta.

Deus foi generoso com o Piauí. Deu ao seu maior administrador 90 anos de vida. O Eng. Alberto Silva era um homem apaixonado pelo Piauí e pelos piauienses. E com essa paixão contaminava os amigos. Ouvi-lo falar era mexer com nossa autoestima e nosso amor à vida e ao compromisso que teríamos com ela. Todo mundo sentia-se pequeno diante das ideias de Dr. Alberto. Ele pensava imenso, seu pensamento era incomensurável se comparado à nossa autoestima.

A idade do Piauí não pode ser contada a partir da descoberta do Brasil, o Piauí tem 250.000.000 de anos, contados a partir das datações da floresta fóssil de Teresina. A história do Brasil entra na história do Piauí e não o contrário. Contando que caçadores/coletores andavam pelas terras piauienses há 60.000 anos, os primeiros seres humanos do planeta aqui picharam nossas paredes de pedras; contando que os fenícios vieram para o Brasil e povoaram essas terras entrando pelo Piauí, iniciando o povoamento tupi; contando que o Piauí sustentou o Brasil de carne como alimento; contando que o Piauí fez verdadeiramente a redenção do Brasil de Portugal pelo heroísmo da Batalha do Jenipapo; contando que o sonho libertador de Mandu Ladino povoou nossas terras... o Piauí é imenso! É cidadão do mundo!

Quem entende esses fatos sabe que o Piauí é parte importante da epopéia do homem neste planeta. Que é irrelevante a ascensão da mídia no mundo culminar com o período de números desagradáveis de nossa economia, estabelecendo uma imagem de nossa terra como uma terra pobre e isso não nos pertence. Isso tudo para mim era a compreensão que Alberto Tavares da Silva tinha do mundo e de nossa terra. Ele era o próprio exemplo do otimismo, da autoestima elevada e foi essa mola que o impulsionou a construir uma história de administrador apaixonado, amante de sua terra e do seu povo.

Dizer que o ele fez tudo que o Piauí tem de melhor é cair na mesmice. Isso mais não se questiona. Mas lembrar que na saúde ele foi fundamental para o sucesso que a medicina do Piauí tem lá fora, muito pouco ainda é reconhecido. Ele não só fez a Maternidade Evangelina Rosa, trazida da Inglaterra, e que, quando aqui chegou, até os lençóis eram importados. Ele não só fez o Hospital de Picos e nem só o de Floriano. Ele não só fez a UFPI e, consequentemente, seu curso de Medicina. E também não só fez o Hospital de Doenças Infecto-Contagiosas de Teresina, marco de nossa saúde.

Admirável Dr. Alberto Silva, que o senhor durma o sono dos justos, dos grandes homens de missão cumprida nesta terra. Deus caprichou quando-o fez. O senhor sempre será um exemplo de que é grande a beleza de Deus quando faz um ser humano. Depois da sua ousadia, sou parte de seus sonhos e tornei-me um apaixonado por nossa terra. Acredito nela. E obrigado por ter preparado Teresina para ficar assim tão linda e eu poder curti-la agora nos meus quarenta e alguns anos...

(*) Luiz Ayrton Santos Junior é presidente da Academia de Medicina do Piauí.

Tempo, tempo, tempo

Soruda san e a revista Gráfica nº 1, 1980, do maestro Miran.
Foto de Vera Solda.

Alcebíades Costa Filho

Quero recomendar aqui, pela Kenard Kaverna, a leitura do livro A escola do sertão: Ensino e Sociedade no Piauí, 1850-1889, do professor Alcebíades Costa Filho, do Curso de História, da Universidade Estadual do Piauí, vencedor do Concurso Novos Autores – Prêmio Cidade de Teresina 2005, categoria Pesquisa Histórica. O livro é uma das poucas edições que temos sobre a História da Educação no Piauí e configura-se como material indispensável para pesquisadores e estudantes da área. Alcebíades, grande amigo, foi diretor do Arquivo Público do Estado (Casa Anísio Brito). Gente da melhor qualidade. Foto de Kenard Kruel.

Labirintos de Clio

Alcebíades Costa Filho. Foto de Kenard Kruel.

O livro Labirintos de Clio: práticas de pesquisa em História, organizado pelos professores Samara Mendes (Curso de História do Campus Poeta Torquato Neto), Raimundo Santos (Curso de História do Clóvis Moura) e Gerardo Vasconcelos (Curso de História da Universidade Federal do Ceará - UFC) e publicado pela Editora da Universidade Federal do Ceará (UFC), como parte da Coleção Diálogos Intempestivos, lançado dia 6, sexta-feira passada, no auditório do Campus “Prof. Alexandre Alves de Oliveira”, da Universidade Estadual do Piauí – Uespi, em Parnaíba, como parte da programação do I Encontro Piauiense de História Cultural, será relançado em Teresina. Em Teresina, às 20 e 30 horas do dia 3 de dezembro, no Laboratório de Artes do Campus da Uespi.

A publicação é uma coletânea de dez artigos produzidos por professores, ex-professores e ex-alunos da Uespi e dá continuidade às comemorações dos 15 anos de implantação do Curso de História na Uespi, do Campus Poeta Torquato Neto, em Teresina.

Segundo o professor Alcebíades Costa Filho, do Curso de História da Uespi - Poeta Torquato Neto, "neste ano de 2009, quando o curso de História completa 15 anos de criação, a publicação de “Labirintos de Clio”, reunindo uma plêiade de ex-alunos, que enche de orgulho a todos que foram seus professores, consolida o papel que o curso de História tem no cenário da historiografia piauiense."

Autores do Livro:

Demétrios Gomes Galvão - Graduado em História (UFPI). Poeta. Mestre em História do Brasil (UFPI) e doutorando em História do Brasil (UFPE). Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Cidade, Fotografia, subjetividade e cultura alternativa.

Elimária Costa Marques - Graduada em História (Uespi). Especialista em História do Brasil (UFPI) e Gestão da Aprendizagem (UNICAP-PE). Autora de livros didáticos de História e História do Piauí pelas editoras do Brasil (SP) e Base (PR), respectivamente. Foi professora do Curso de História da Uespi e da UFPI, além de ter exercido a Coordenação do Curso de História – Regime Especial na Uespi. Professora de História do Piauí do Instituto Camilo Filho e da Rede Particular de Ensino de Teresina. Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Cidade, Seca, Ensino de História.

Fauston Negreiros - Graduado em Psicologia (Uespi). Mestre em Educação Brasileira (UFC). Doutorando em Educação Brasileira (UFC). Foi professor do Curso de Psicologia da Uespi, além de ter exercido a atividade de psicólogo na Rede Particular de Ensino de Teresina. Professor do Curso de Psicologia da Facid - Teresina. Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Fome, Seca, Currículo Escolar.

José Luís de Oliveira e Silva - Graduado em História (Uespi). Especialista e Mestre em História do Brasil (UFPI). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) e da Uespi - Campus Poeta Torquato Neto. Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Ensino e Linguagens, em especial a cinematográfica.

Joseanne Zingleara Soares Marinho - Graduada em História (Uespi). Mestra em História do Brasil (UFPI). Professora da Uespi - Campus Poeta Torquato Neto. Atualmente desenvolve pesquisas relacionadas ao diálogo Gênero, Sociedade, História.

Márcio Iglésias Araújo Silva - Graduado em Geografia (UFPI) e Educação Física (Uespi). Especialista em Meio Ambiente (UFPI). Mestrando em Geografia (UECE). Autor de livros didáticos de Geografia do Piauí pelas Editoras Dinâmica (PB) e Base (PR). Professor das Redes de Ensino Estadual e Municipal de Teresina. Atualmente desenvolve pesquisas sobre Geografia, Espaço Geográfico, Cidade, Cultura Piauiense e Ensino de Geografia.

Nalva Maria Rodrigues de Sousa - Graduada em História (Uespi). Mestra em História do Brasil (UFPI). Professora da Uespi - Campus Amarante e do Curso de História da Faculdade Piauiense (FAP - Teresina). Atualmente desenvolve pesquisas relacionadas ao diálogo Gênero, Sociedade, História.

Olívia Candeia Lima Rocha - Graduada em História (Uespi). Mestra em História do Brasil (UFPI). Professora da Uespi - Campus Poeta Torquato Neto. Atualmente desenvolve pesquisas relacionadas ao diálogo Gênero, Sociedade, História e Literatura. É integrante do Grupo de Pesquisa, Fronteiras da Literatura, certificado pela Universidade Federal do Piauí.

Raimundo Nonato Lima dos Santos - Graduado em História (UFPI). Mestre em História do Brasil (UFPI). Professor da UFPI - Campus Picos, da Rede Particular de Ensino de Teresina e Substituto da Uespi – Campus Clóvis Moura. Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Cidade e Identidade.

Roberto Kennedy Gomes Franco - Graduado em História (UFC). Mestre em Ciências da Educação (UFPI). Doutorando em Educação Brasileira (UFC). Membro da Linha de Pesquisa Marxismo, Educação e Luta de Classes (UFC). Professor do Curso de História da Uespi – Campus Poeta Torquato Neto.

Samara Mendes Araújo Silva - Graduada em História (Uespi), Teologia e Comunicação Social – Jornalismo (UFPI). Especialista em História Sociocultural (UFPI). Mestra em Educação (UFPI). Doutoranda em Educação Brasileira (UFC). Integrante do Núcleo de Pesquisa História e Memória (UFC). Professora da Uespi - Campus Poeta Torquato Neto e da Rede Estadual de Ensino. Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Cultura Piauiense, Educação Feminina e Instituições Escolares Confessionais Católicas.

Vivian de Aquino Silva Brandim - Graduada em História (Uespi). Especialista em História do Brasil nas Relações Internacionais (Uespi). Autora de livros didáticos de História e História do Piauí pela Editora Base (PR). Foi professora do Curso de História da Uespi. Coordenadora de Área e professora de História do Piauí da Rede Estadual de Ensino. Atualmente desenvolve pesquisas sobre História, Cidade, Cultura afro-brasileira, Seca.

Arca das Letras em São Raimundo Nonato

O município de São Raimundo Nonato (a 517 km de Teresina) recebeu cinco bibliotecas do Programa Arca das Letras, sendo todas instaladas nas comunidades: Novo Horizonte, Assentamento Novo Horizonte, Lagoa do Riacho, Onça III e Lagoa do Luiz. As bibliotecas são oriundas do MDA – Ministério Dessenvolvimento Agrário em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura. As secretaria manterão agentes de leitura nas comunidades rurais fazendo o acompanhamento das crianças para estimular o hábito da leitura.
A entrega da Arca das Letras ocorreu no Centro Diocesano com as presenças do Prefeito José Herculano de Negreiros, do Delegado do MDA Adalberto Pereira e e o Secretário Municipal de Agricultura, Iran Morais. Os agentes de leitura receberam uma capacitação para coordenar os trabalhos de leitura nas comunidades beneficiadas. (Fonte: Portal AZ).
Dodó Macedo, Vando, do Trombone & Cia e Albert Piauí.
Foto de Laura Macedo. (Don Solda).

Raul Seixas e Seu Tempo

Este livro vem preencher uma das lacunas da nossa produção historiográfica, que é a falta de pesquisas e de documentos sobre os movimentos da juventude na segunda metade do século XX, tendo como eixo temático a vida e a obra de Raul Seixas e o projeto de construção de uma 'Sociedade Alternativa', que esteve nos sonhos e nas lutas de toda uma geração. Nesta obra, o leitor pode desfrutar de uma viagem pelos contornos de uma História que continua a animar corações e mentes de muitos dos jovens das gerações atuais.

Editora: Terceira Margem
Assunto: HISTÓRIA DO BRASIL

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Novembro, mês de Torquato Neto

Últimos exemplares à venda.

Torquato Neto foi um dos grandes poetas da Contracultura no Brasil. Visto como "maldito" pelo Sistema e indesejável pela mãe dele, a Salomé, que, após o seu suicidio, mandou recolher todos os exemplares do seu livro póstumo: OS ÚLTIMOS DIAS DE PAUPÉRIA, que chegaram à sua cidade natal: Teresina. Torquato foi um dos grandes expoentes de uma geração que, como diz um dos seus versos, veio para "desafinar o côro dos contentes". Não por acaso, o Wally Salomão, em sua palestra na Câmara Municipal de São Paulo, comparou a atitude da mãe dele à da Salomé da Bíblia, que mandou cortar a cabeça do João Batista. O fato é que todos os conservadores civis deram apoio à Ditadura Militar e se uniram a ela para cortar as cabeças pensantes da geração dos anos 60 e 70 - geração única em sua rebeldia revolucionária e como ela, nós não teremos outra igual, como lembra José Poerner em seu livro O PODER JOVEM. Aqui está a sua biografia (clique).

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Luiz Lima: poeta, professor e aquariano! Autor de uma Tese de Doutorado sobre o Raul Seixas e os movimentos da Contracultura dos anos 60 e 70 pelo Departamento de História Social da USP. Ela foi defendida e aprovada em 08/08/2006. Em 2007, a Tese serviu de base para o meu livro VIVENDO A SOCIEDADE ALTERNATIVA: RAUL SEIXAS E O SEU TEMPO, publicado pela Terceira Margem Editora. Ele pode ser encomendado na Livraria Cultura. (clique).

Sarau Ágora

O Sarau Ágora acontece na última quinta-feira do mês (o próximo ocorrerá no dia 26, portanto), no restaurante Nova Brisa, avenida Pres. Kennedy, São Cristóvão, nesta Capital. O Ágora de outubro homenageou dois poetas de Oeiras: Gutemberg Rocha, poeta e cronista, autor de 'Oeiras É Assim' (poemas), e Jota Jota Sousa, autor de 'Do Outro Lado da História' (poemas, contos e crônicas) e 'Meu Pedaço de Chão e Minhas Andanças' (idem). O Sarau Ágora já disse a que veio: o próximo será o vigésimo-quinto encontro - com a poesia e a música reinando (e coroando a cidadania, sentido da Ágora, a praça da livre manifestação). Acima, de pé: João Carvalho (coordenador geral do Sarau) e Reginaldo Leal; sentados: Jota Jota Sousa, Gutemberg Rocha e William Soares.
Blog do Sarau: www.sarauagora.blogspot.com/
Email: elis_peg@hotmail.com
Texto e Foto: Dodó Macedo.

Sarau Ágora

Dodó Macedo, Deusdeth Nunes, William Soares, Zé de Helena, Conceição Cavalcante e João Carvalho, no Sarau Ágora. Zé de Helena é figura consagrada e querida de Oeiras. Registrado como José Hipólito Marinho, Zé de Helena foi o primeiro garçom, primeiro jardineiro, primeiro faz-tudo de Oeiras. Aplausos mais que merecidos, caro Zé! Texto e foto de Dodó Macedo.

Sarau Ágora

Ingra de Sousa deu mostras de seu talento no Sarau Ágora. É de São João do Piauí. Manja de MPB e já é presença garantida em nosso próximo encontro, previsto para o dia 26. Texto e foto de Dodó Macedo.

Uma voz no Sarau

Renata Pitta louva a MPB na noite em que o Sarau Ágora homenageou poetas de Oeiras. Texto e foto de Dodó Macedo.

Novembro, mês de Torquato Neto

Olá Kernard. sou o Chagas estudante de letras da Uespi e leitor assíduo do seu blog. No dia 24 de Novembro, no Campus Clóvis Moura, no Bairro Dirceu Arcoverde I, estaremos promovendo um café literário com alguns convidados que falarão sobre o cânone brasileiro. Gostaria muito de contar com sua presença e na oportunidade que você falasse um pouco do seu livro Torquato Neto ou Carne Seca é Servida. Espero uma resposta positiva ou negativa. Um abraço e obrigado. Chagas Botelho - 8847 – 3112.

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Por Jupíter!, meu caro poeta e contista tarantular Airton Sampaio, o Joca Oeiras está fazendo escola (Espero uma resposta positiva ou negativa). Minha resposta, caro Chagas Botelho, é.... Positiva. Lá estarei. Fique de Tocaia... A foto acima, em que estou sem pé, nem cabeça, foi lambe lambida pela Renata Pitta na Livraria Margarida. Nas estantes, alguns dos meus livros. Entre eles, cara pálida, o nosso Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

I Encontro de História e Cultura UESPI PHB

Meus amigos e meus inimigos, estive de 2 a 5 em Parnaíba, no I Encontro de História e Cultura, organizado pelos alunos de História da UESPI. Nota 10. Belíssima sacola, com caneta e bloco de anotações, além da programação, seguida à risca. As conferências, as palestras, as comunicações, os cursos relâmpagos, os shows, os recitais poéticos dentro do esperado: sucesso total. Instalei banca para vender meus livros (Djalma Veloso - o político e sua época; O. G. Rêgo de Carvalho - fortuna crítica e Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida) e do meu irmão Kleber Montezuma (Círculo de Giz - educação sem adjetivos). Não vou dizer que foram vendidos todos os exemplares que levei para não atrair a gana dos cobradores. Mas, que vendi todos, isso é lá uma verdade... Preços promocionais, que os professores e alunos aproveitaram bem... Gostei de ver o Bernardo Aurélio, que fez camelôagem comigo vendendo Foices & Facões - a batalha do Jenipapo, dele e de Caio Oliveira, em quadrinhos. A Olívia Candeia Lima Rocha, com a Antologia de Escritoras Piauienses (Século XI à Contemporaneidade). O Claucio Ciarlini Neto, com o seu Inevitável, poemas da juvenília. O Iwaltman Mendes, com Porto de Luís Correia - histórico de um sonho e Parnaíba: Educação e Sociedade (duas edições). Além da prata da casa, outros escritores além mar botaram banca conosco. Mas, deles falem eles por lá. Eu estou cantando a minha aldeia. E aiaia...!!! De repente, surgem no show do Teófilo (com Pedro Gita, na guitarra, e Badeu, numa caixa da pandora de fazer um som danado de se ouvir) o poeta Élio Ferreira (candidato a reitor) e Daniel Solon (candidato a vice-reitor) - chapa 3, eleições da UESPI, trazidos pelo fiel escudeiro Jálison Rodrigues (assessor de comunicação, poeta dos bons também). O Élio Ferreira, a meu chamado, se passou para o palco e teve os seus 10 minutos de fama. Se depender dos gritinhos a la Frank Aguiar das meninas que estavam lá, o poeta Élio Ferreira pode encomendar terno de posse. Porém, é bom confiar não. Mudas de roupa no carro e pé na estrada, que o Piauí é grande e tem muitos campi da UESPI espalhados por este chão de meu Deus! Fiz minha parte. Depois, caia, com a Renata Pitta, na Gandaia. Bebemos muita água de côco, além da do mar, e comemos as piabinhas que a caravana dos teresinenses deixaram para nós. Ô povo medonho, por onde passa nem capim nasce depois! Pra lá! Por Jupíter! Não liguei celular. E a cambada me procurando tu... Pois, bem, Chê Gay... Quem for do bem, que se aproxime. Quem for do mal, nem vem que não tem... Saravá, meu Pai!

Pedro Gita, Teófilo e Badeu

Pedro Gita, Teófilo e Badeu em tremendo show na noite de quarta-feira, na UESPI, de Parnaíba, durante o I Encontro de História e Cultura. Fiz parte do palco, em recital poético. Renata Pitta deu uma canja cantando e recitando belíssimo poema, sendo aplaudidíssima. Élio Ferreira arrasou com sua poética também. Moço da Parnaíba, Teófilo ainda ficou por lá em novos shows. Foto de Kenard Kruel.

Iweltman Mendes

Iweltman Mendes, mestre em Educação, doutorando em Educação. Professor da UFPI, em Parnaíba. Da FAP (Faculdade Piauiense). E da Faculdade Internacional do Delta. Membro da Academia Piauiense de Letras. Sócio fundador do Instituto Histórico, Geográfico e Geneológico da Parnaíba. Ex-secretário da Educação da Parnaíba. É autor de: Anuário Parnaibano (1992 a 1996), Parnaíba em Estudos Sociais (1994), Associação Comercial de Parnaíba - Lutas e Conquistas (duas edições - 1994 e 1997), A parnaíba Colonial e Imperial (1994), Parnaíba: Educação e Sociedade (duas edições - 2001 e 2007), Parnaíba - História e Geografia - Didática (2007). Foto de Kenard Kruel.

Olívia Candeia Lima Rocha

Olívia. Foto de Kenard Kruel.

Antologia de Escritoras Piauienses (Século XI à Contemporaneidade), pré-lançada no 7° Salão do Livro do Piauí - Salipi, salientando a vida e obra de 33 escritoras piauienses, foi um dos destaques do I Encontro de História e Cultura, UESPI, Parnaíba - Norte do Brasil, de 3 a 6 do mês corrente. A organização é das professoras Algemira de Macedo Mendes e Olívia Candeia Lima Rocha dos cursos de Letras/Português e História, do Centro de Ciências Humanas e Letras (CCHL), da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), respectivamente.

A Antologia se organiza em duas partes. A primeira traz os resultados da pesquisa sobre as quatro primeiras mulheres que produziram literatura no Piauí, do século XIX a meados do século XX. Na segunda, bem mais extensa, estão os nomes de 29 escritoras que contribuíram ou ainda contribuem para a constituição da literatura piauiense.

No livro, com 328 páginas, o leitor poderá conhecer, por exemplo, a história de Amélia Carolina de Freitas Beviláqua, que nasceu no dia 7 de agosto de 1860, na fazenda Formosa, no município de Jerumenha, no Sul do Piauí. Ainda menina, Amélia, que era filha de desembargador, foi morar em São Luís (MA), onde o pai foi jurista e presidente da então província do Maranhão. Amélia iniciou sua vida literária bem cedo. Ainda enquanto estudante primária, ela chegou a integrar a Academia Piauiense de Letras (APL). A escritora piauiense, que falava francês e inglês fluentemente, concluiu seus estudos no Recife (PE) e faleceu em 1946, no Rio de Janeiro.

Saindo do século XIX e chegando ao XXI, temos Raisa de Caldas Castelo Branco. Nascida em 1988, em Teresina, iniciou sua carreira de escritora aos 11 anos de idade, escrevendo contos com narrativa enxuta, proporcionando ao leitor imagens de sensibilidade poética.

A obra teve o importante apoio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Fundação Cultural do Piauí (Fundac) e Fundação de Apoio Cultural do Piauí (Fundapi). A coordenação editorial ficou por conta de Marleide Lins de Albuquerque, coordenadora de Literatura da Fundac.

Claucio Ciarlini Neto

Retrato do poeta quando jovem. Foto de Kenard Kruel.
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Glaucio Ciarlini Neto nasceu em Teresíndia, a 24 de março de 1981. Formado em História pela Universidade Estadual do Vale do Acaraú (Sobral - CE). Especialista em História do Brasil, pela Faculdade Piauiense (Parnaíba). Juntamente com o primo Daniel Ciarlini edita O Piaugüi, "Maior veículo de Cultura do Estado do Piauí". É autor de: Linhas impensadas (2004), Perdido de autorização para pensar (2005) e Inevitável (2009).

Bernardo Aurélio

Kenard Kruel e Bernardo Aurélio (presidente do Núcleo de Quadrinhos do Piauí), no troca troca dos livros, no I Encontro de História e Cultura, UESPI, Parnaíba - Norte do Brasil. Foto de Renata Pitta.

Élio Ferreira

O poeta Élio Ferreira, candidato a reitor da UESPI, no I Encontro de História e Cultura, na UESPI, em Parnaíba, em recital poético, pegando carona do show do Teófilo. Foto de Kenard Kruel.

Beto Rêgo e suas tietes

Beto Rêgo, quando saboreava uma peixada, na beira do Rio Parnaíba, em companhia da esposa e de amigas, gentilmente deu um tempinho para que este lambe lambe o retratasse ao lado de Luzia Carvalho (à esquerda) e Deusinha (à direita). E ainda reclama que ganha pouco como apresentador da TV Meio Norte...

Canto da Sereia

Renata Pitta no Coqueiro. Foto de Kenard Kruel.

Norbelino Lira de Carvalho

O engenheiro Norbelino Lira de Carvalho é mais conhecido pelo seu livro "O Último Coronel" mesmo se tratando de uma pessoa espirituosa, cheia de graça e de conversa fácil. Tão fácil que já assimilou o linguajar dos seus novos pares. Dia desses, em conversa com outro engenheiro, ele começou a falar da seguinte forma: "Estaremos fazendo", "Vamos estar construindo", "Queremos estar enviando", "Poderemos estar realizando" e assim sucessivamente. Ora, leitor(a), o gerundismo exacerbado é produto do linguajar petista. Quem dele faz uso em profusão é o governador Wellington Dias ao dizer: "Vamos estar construindo as bases para o desenvolvimento." Ora, pois. (Toni Rodrigues). Foto de Kenard Kruel.

As mazelas nas estradas de ferro do Piauí

Norbelino e Garrincha. Foto de Kenard Kruel.

*Norbelino Lira de Carvalho

É fato fora de dúvida que o Piauí tem mazelas sobrando para todos os lados. Também nas estradas de ferro tem desde 1871 (133 anos atrás). Naqueles idos a Resolução Provincial Nº 757 trazia a autorização para construção de via férrea ligando Luís Correia a Parnaíba. O contrato foi assinado com José Maria Barnes, Francisco Gano Gulik e Joaquim Coelho Fragoso, porém nenhum quilômetro foi executado.

Quarenta e cinco anos depois, em janeiro de 1916 aquela estrada recebeu a denominação de Estrada de Ferro Central do Piauí e foi homologado o contrato de construção com a South American Railway Company Ltd., para construí-la de Luiz Correia a Teresina.

A South American preparou apenas 23km e o eng. Miguel Furtado Bacelar seguiu com o contrato até 13/5/1922, quando deixou concluído 179km, assim distribuídos: Luís Correia/Parnaíba, 13 km. Parnaíba/Bom Principio, 37 km. Bom Princípio /Frecheiras, 12 km. Frecheiras/Cocal, 12 km. Cocal/Deserto, 22 km. Deserto/Piracuruca, 39 km. Piracuruca/Brasileira, 26 km. Brasileira/Piripiri, 18 km. Mesmo assim o trem só chegava a Piracuruca.

Muito tempo depois foi concluído o trecho até Piripiri/Altos com 117 km e onde se dá o entroncamento da estrada Teresina a Fortaleza.

Para que tanto trabalho se hoje, o trecho: Altos/Luís Correia, com 296km foi desativado com os dormentes roubados a mando de políticos ao longo da estrada.

Em 18/6/1874, o eng. Nuno Alves Pereira Sousa peticionou à Assembléia Legislativa a concessão de privilégio, por 90 anos, para construir uma estrada de ferro ligando Amarante a Valença do Piauí. O pedido foi negado em face do eng. Nuno Alves não ser prata da casa. Porém, menos de um mês depois, em 2/7/1874, a Resolução Provincial N.º 853, autorizava mandar contratar a construção de via férrea ligando Amarante a Oeiras, com ramal até Valença. Os interessados eram os amigos: comendador Antônio Pires Ferreira, Dr. Francisco Pires Ferreira, os engenheiros André Rebouças e Manuel Antônio da Silva Reis. O contrato foi assinado em 9/10/1875, adiado pela Resolução Provincial Nº948 por mais três anos. O projeto nunca foi executado.

Em 20/11/1822, aviso ministerial solicita ao presidente da província para informar requerimento acompanhado de planta, em que o eng. João Crokatt de Sá pedia o privilégio para a construção da estrada de ferro ligando Santa Filomena, no Piauí a Porto Franco, em Goiás; dai a estrada se estenderia da confluência do Rio do Sono, no vale do Tocantins, até a povoação Santa Maria, no vale do Araguaia. A proposição tinha garantia de juros de 6%aa. O projeto nunca foi executado.

Em 25/7/1888, a Resolução Provincial Nº1.168 concedeu privilégio de 60 anos aos engenheiros Newton César Burlamaqui e Bejamim Franklin de Albuquerque Lima para construção de via férrea ligando Amarante a Oeiras, subindo, margeando o Rio Canindé e atingindo a serra dos dois Irmãos e dai até o rio São Francisco, em Petrolina, interligando Teresina ao Sul do País. A obra nunca foi executada.

Em 28/1/1891, Decreto Estadual criou o sistema de Viação Ferroviário do Piauí com a intenção de construir várias estradas de ferro no Estado.

Em 1896, foi autorizada pelo governo federal a construção da estrada de ferro Petrolina-Teresina e dai até Luís Correia. A construção foi iniciada em 1910 e dada como concluída em 1923, mas os trilhos só atingiram Paulistana ou 49 km no estado do Piauí, o trecho Paulistana a Teresina, chegou a ser terraplenado e construído todas as obras de arte. Quem passa pela Polícia Rodoviária Federal rumo a Floriano/Picos, pode observar três casas construídas pela REFESA, para ser o pátio de manobras. Hoje, o trecho Petrolina/Paulistana de 240km foi abandonado.

A Lei Estadual Nº 518 concedeu privilégio de 60 anos a Alfredo Gentil de Albuquerque Rosa, para construir a estrada de ferro ligando Teresina-Floriano, dai rumando para Nazaré do Piauí e acompanhando o Rio Piauí pela margem esquerda até São Raimundo Nonato, depois seguindo para Bom Jesus do Gurguéia e Santa Filomena, onde encontraria a ferrovia de Santa Filomena para Porto Franco, no Tocantins e Santa Maria, no Araguaia. (Olha a estrada de ferro que passaria por minha cidade São José do Peixe). O projeto nunca foi executado.

A Lei Federal Nº 523, de 5/7/1909, autoriza o governo estadual a contrair empréstimo externo até o valor de Rr 4.000$000 para construir a estrada de ferro Sobral a Piracuruca e dai a Teresina. O trecho Sobral a Piracuruca nunca foi executado.

Em 1909, o eng. Beaurepaire Pinto Peixoto foi comissionado pelo governo federal para construir uma estrada de ferro através do Jalapão (chapada das Mangabeiras). Tomou Uruçuí, às margens do rio Parnaíba, como marco inicial dos seus estudos e seguiu cortando os cerrados até Bom Jesus do Gurguéia - Barreiras do Piauí - Santa Luz - Corrente - Cristalândia do Piauí, adentrando a Bahia até Formosa do Rio Preto. Esta estrada nunca foi executada.

A Lei Federal Nº 765, de 15/7/1913, autoriza o Governo do Estado a construir a estrada de ferro ligando Floriano a Corrente, acompanhando o rio Gurguéia. Esta obra nunca foi executada.

A Lei Federal Nº 845, de 10/7/1915, autoriza o Governo do Estado a construir a estrada de ferro ligando Luís Correia às nascentes do Ro Pirangi e daí a Fortaleza. Esta obra nunca foi executada.

Em 1910, o governo Federal autorizou a interligação de várias vias férreas já existentes no Maranhão para interligar Teresina a São Luís. Um trem especial saiu de Teresina em 5/3/1921, mas só chegou a São Luís em 1930.

Portanto, planos o Piauí teve até demais. Mas, o que precisa? É de alguém que faça. E quando aparece, a curadora do meio-ambiente embarga.

*Norbelino Lira de Carvalho - n. 11-01-1947 - São José do Peixe (PI). Escritor ficcionista e pesquisador da história piauiense. Formado em Engenharia Civil, pela Fundação Universidade de Minas Gerais. Especializou-se em Recursos Hídricos e Projetos e Barragens. Bibliografia: De Piauí a Piauiank, o Piauí no Universo Paralelo”, (1992); O Último Coronel (1995). Tem inédito: Vias do Destino, O Novo Começo e O Vírus da Arca. Comentário: “Norbelino Lira de Carvalho, em O Último Coronel (Fundação Cultural Monsenhor Chaves) dá o tom da ficção do milenismo. (...). Partindo de matriz da própria história, o autor levanta as raízes sociais do Estado, denuncia as mazelas políticas, os conchavos familiares, o compadrio e produz uma obra que se situa entre uma realidade absolutamente conhecida, de pobreza e exploração, e a ficção que torna a narração agradável e de fácil leitura. Estou convicto de que O Último Coronel define uma nova conduta na história literária do Piauí”. (Herculano Moraes, in Visão Histórica de Literatura Piauiense, 4ª edição, tomo III, Teresina, PI, 1997).

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Carta de Joca Oeiras para um jovem poeta

Emerson Araújo. Foto de Kenard Kruel.
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Querido Emerson Araújo: Algumas pessoas entre as quais, eu temo, você se inclui, acreditam que, do nada, eu saí apostando que o Bar "Nós e Elis" foi o que deixou "mais saudades", isto é, que a minha insistência em pedir às pessoas que escrevessem sobre o "Nós e Elis" fosse uma idiossincrasia e, principalmente, algo feito em detrimento de outros bares teresinenses.Peço que entenda: a matéria com que eu procuro trabalhar não é um bar. Não estou, nem nunca estive, atrás do melhor bar de Teresina. O que busquei atingir neste livro, e acho que consegui, é que pessoas as mais díspares se dispusessem a compartilhar um passado, socialmente vivenciados por elas.Mas, sou franco em dizer, meu caro Emerson Araújo; só obtive êxito (palpável, inegável,em menos de uma ano, diga o que bem quiser dizer e tente desqualificar o quanto quiser tentar o Airton Sampaio) porque o bar "Nós e Elis" marcou uma época em Teresina.Se você não faz parte dos saudosistas este é um direito seu,ou, melhor dizendo, é seu ESTE direito. Faça bom uso dele!beijos e abraços. (Joca Oeiras).
Joca Oeiras. Foto de Kenard Kruel.

Senhor Joca Oeiras: Só agora depois de hibernar pelas plagas maranhenses, resolvo comentar o previsível sobre o besteirol que a intelectualidade "deprê" desta província tem posto em blogues de todo naipe nos últimos meses: O Bar Nós e Elis.

Quando fiz o comentário na postagem do meu amigo Airton Sampaio foi de fato para me solidarizar com ele sobre a falsa importância dada a este reduto da burguesia esquerdizante chata de Teresina, comandada pelo economista / deputado Elias Prado Júnior e que vossa senhoria e seguidores continuam, tentando sacralizar em livro a ser publicado, no mínimo, sob a anuência do poder público ora de plantão. Não é de estranhar, pois o projeto de cultura implantado pelo governo do meu Partido é pior do que os dos governos da direita agrária do passado.

Senhor Jocas Oeiras quero, aqui dizer, ainda, que vossa senhoria não precisa ter medo de mim, pois não sou muita coisa não neste novo latifúndio chamado Piauí, apesar de reconhecer que minha militância intelectual foi nas salas de aula, formando gerações, eu acho, né. Com isso a minha opinião não deve provocar em ninguém nenhum medo, pois a ferramenta de contestação ao besteirol previsível que uso é a palavra, somente ela.
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Por fim, Senhor Joca Oeiras continuo com o mesmo pensamento de antes, ou seja, fui a este Nós e Elis algumas poucas vezes, sozinho ou acompanhado, declamando alguns poemas para uma platéia que se deleitava com ensopado de camarão suspeito e vodca falsificada em caipirinha que infernizava a cabeça e o estômago na manhã seguinte. Nada mais que me fizesse santificar este lugar depressivo que hora vossa senhoria relembra.

E como bom nordestino que sou, achava mais legal mesmo era o Bar da Pretinha na Paiçandu em final de tarde com o meu amigo e poeta de saudosa memória Wilton Santos, pois lá éramos amigos das rainhas de lábios vermelhos e sainhas sugestivas ou então nos finais de semana no Bar Acauã no bairro São Pedro de propriedade do Chico irmão da poetisa/amiga Marleide Lins Albuquerque em companhia de F. Eduardo Lopes, Chico Castro, William Melo Soares, José Olimpio de Melo, Toinho, Miso, ZéMagão e tantos e tantas numa sinfonia onde rolava tudo. Tudo muito bom e sem frescuras depressivas e nem rei para patrulhar ninguém. Teresina sob a égide dos seus bares de conotação alienante, mas feliz e como feliz, meu caro.Como última declaração deixo ainda isso: transformar Teresina em um bar é, no mínimo, reduzi-la a nada e sem falar que a esquerdinha de plantão nasceu nas mesas desse Nós e Elis para depois esquecer o pensamento mais básico de Karl Marx. (Emerson Araújo).

VI Festival de Cultura de Oeiras

Joca (em) Oeiras e Sônia Terra (em Paris).
Foto de Kenard Kruel.

Joca Oeiras

Só não qualifico de Ótimo porque, tenho a certeza, Ótimo será o próximo! Mas foi Muuuiiinto bom o VI Festival de Cultura de Oeiras! Não que não tenha apresentado nenhuma falha: bem ao contrário, teve muitas! Mas o saldo foi amplamente positivo! Aliás, é bom que se diga, até o Ótimo VII Festival de Cultura de Oeiras (a ser realizado em 2010) terá, certamente, sua realização marcada por inúmeras falhas, bem como, muitas das que ocorreram neste ano serão sanadas, assim espero. Só quem faz, erra!

O primeiro indício de que o nosso Festival foi encarado com seriedade pelos organizadores pôde ser visto já na sessão de abertura, que contou com a presença de inúmeros políticos comandados pelo vice-governador Wilson Martins. Aliás, quero, de público, pedir desculpas à presidente da Fundac, Sonia Terra, pela carta que escrevi insistindo que ela estivesse aqui em Oeiras durante o Festival. Se tivessem me dito que você estaria em Paris, Sônia, inclusive divulgando ações culturais brasileiras, de forma alguma escreveria aquela carta. “Paris bem vale uma Missa” (Henrique IV, rei da França de 1589 a 1610). Muito notadas, no entanto, as lamentáveis ausências dos dois principais dirigentes do Turismo Piauiense, Patrocínio Paes Landim e Sílvio Leite. Nos dias subsequentes, sexta (23) e sábado (24), circularam pela Praça de Eventos tanto o prefeito Sílvio Mendes como o Senador João Vicente Claudino.

O fato é que, como venho afirmando desde 2007, o evento adquiriu luz própria, isto é, enraizou-se no calendário de eventos de Oeiras. Apenas relembrando, mesmo o V Festival, no qual, confesso, não apostei um níquel na sua realização exitosa (embora torcesse ardentemente por ela) recebeu, de minha parte, aprovação. Apenas um amigo sentenciou, naquela ocasião “Leo Gandelmam não merecia público tão exíguo!” É verdade. Mas para quem se preocupa com a continuidade dos eventos de Oeiras, muito mais que o grande Léo Gandelmam foi importante a própria existência da quinta edição do Festival, mesmo que péssima e tardiamente divulgado, ou antes, não divulgado.

Achei uma pena que a grande atração do Festival, o cantor Zeca Baleiro, só tenha podido apresentar-se no primeiro dia, o que, queiramos ou não, propiciou uma espécie de anti-climax muito embora o excelente cantor (e compositor) Vavá Ribeiro, que se apresentou no derradeiro dia, tenha carregado para a praça um séqüito fiel de fãs.

O Maestro Aurélio Melo é figura de prol na cena musical oeirense. A apresentação do conjunto “Ensaio Vocal” foi belíssima. Fiquei emocionado!

Uma coisa ficou evidente: a audiência do Festival é ainda maciçamente local. Basta ver a platéia da sexta-feira, quando uma banda de Forró se apresentou no BNB Clube: a platéia do palco principal ficou sensivelmente reduzida.

Por falar nisso, foi “show de bola” a localização do Palco Possidônio Queiroz” pois permitia a todos, tanto os que preferiam permanecer sentados, bebericando, como os que queriam dançar, a fruição perfeita do som.

O mesmo não se pode dizer do palco alternativo (José Expedito Rego). Para o cantor Vivaldo Simão o palquinho mais atrapalhou que ajudou, inclusive porque ficou fora do alcance de visão dos que estavam no Café Oeiras e não chegou a cumprir qualquer função relevante no sentido de agrupar pessoas na Feira de Artesanato. Houve, também, quem criticasse o tratamento dado às atrações locais, o que parece ter cabimento. É bom lembrar, porém, que estes tratamentos discriminatórios à prata da casa não são uma exclusividade do Festival de Oeiras, ocorrendo de forma mais (Festival de Inverno de Pedro II) ou menos (Cachaçafest de Castelo do Piauí) sutil nos diversos eventos pelo Estado afora. Em Castelo, por exemplo, é tão gritante a discriminação que já se chegou a mandar parar um show no palquinho para poder passar o som no palcão, ao lado. Um enorme desrespeito! Em Oeiras parece que não foi muito diferente, embora o palco alternativo não participasse, como em Castelo, do mesmo espaço sonoro, o tempo de apresentação da cantora Luciana foi grandemente diminuído.

Toques, retoques e pinceladas

1 Valeu a experiência, mas o Palco montado na Igreja do Rosário infelizmente não recebeu a afluência de público que se ´poderia esperar. No meu modo de ver este seria o Palco ideal para um outro tipo de evento já proposto por mim, a saber, um Festival de Folclore a ser criado na esteira do prestigio nacional adquirido pelo Conjunto “Congos de Oeiras”

2 Ouvi algumas pessoas reclamarem que o perfil musical de Elomar, Xangai e Vital Farias é muito parelho, digamos assim. Não tiro a razão dos que reclamam, mas acho que o que ficou faltando, de fato, na contramão de uma forte tradição – Hamilson Holanda, Leo Gandelmam, Yamandu Costa, Turíbio Santos, Erisvaldo Borges, Bandolins de Oeiras, Trombone & Cia, entre outros – foi um grande instrumentista. O pianista Artur Moreira Lima chegou a ser anunciado, mas não confirmado. O que houve com ele que resultou na sua ausência, ninguém se dignou a informar.

3 Não vi a menor repercussão nem, muito menos, qualquer conseqüência. Pode alguém me dar contas da tal “Palestra Motivacional” do escritor César Sousa, importado dos States, segundo o prefeito B. Sá, para “elevar a auto-estima dos oeirenses”? Mas uma pessoa me garantiu: que o pobre homem saiu de Oeiras com a auto-estima lá embaixo. “Ninguém me ama! Ninguém me quer!” Alias, já que perguntar não ofende: caro prefeito B. Sá, o que, afinal, tem a ver Cultura com Auto-Ajuda?

4 Foi um belo gesto – de efetiva solidariedade artística e profissional – do grande cantor e compositor oeirense Vavá Ribeiro que serviu como desagravo à insensibilidade, demonstrada pelos organizadores do VI Festival quando desconvidaram o cantor, compositor e poeta Vivaldo Simão, ouro da casa, eu diria, apenas porque ele pediu para discutir, antecipadamente, seu cachet e tempo de apresentação. Vavá convidou o Vivaldo para cantar, com ele, duas músicas durante sua apresentação, no Palco Principal. Ambos foram muito ovacionados. Parabéns Vavá!

5 A apresentação do velho cantor baiano Elomar Figueira de Melo foi deslocada – sem aviso prévio e a pedido (ou por exigência?) deste – para o anfiteatro da Casa das Doze Janelas num flagrante desrespeito ao público que aguardava a apresentação no palco “Possidônio Queiroz”.

6 Presentes no Festival de Pedro II de 2009 , assim como no inesquecível “Global Rock Art”, os climatizadores localizados na Praça da Bandeira ajudaram a fazer diferença, este ano, também no evento de Oeiras. Vieram para ficar, assim esperamos.

7 Os gastos com infraestrutura foram, sem dúvida, os maiores até agora registrados nos Festivais de Oeiras. Isto se deve em grande parte ao Sebrae, que desde o II Festival tinha presença marginal, como confessou publicamente o Superintendente do Sebrae, Sr. Delano Rocha.

8 Diferentemente das escolas públicas estaduais e municipais, dois colégios particulares – o Instituto Barros de Ensino e o Mahatma Ghandi – deram demonstrações de que é possível incentivar, no alunato, a fruição de cultura, um exemplo que deve ser seguido por todos.

9 Apesar de, infelizmente, não termos qualquer dado mais concreto, fizeram sucesso os displays dos Congos e das Bandolinistas de Oeiras no Stand montado pela FNT. A publicitária Lais Reis, teve uma grande idéia que poderia ter sido melhor aproveitada naquela ocasião. E será, no futuro, tenho certeza!

10 Tendo em vista que 2010 é um ano eleitoral e que pode haver segundo turno seja para presidente ou para governador, proponho que o VII Festival de Cultura de Oeiras seja realizado entre os dia 11 e 14 de novembro (quatro dias, de quinta a domingo ) tendo em vista, inclusive, que o dia 15 (segunda-feira) é feriado nacional.

Vi e gostei

Bastardos Inglórios, do genial QUENTIN TARANTINO. Intertextual, citacional, belíssimo. Cinema com C! Assista, antes que Os sonhos de um sonhador o lance na vala comum... (Airton Sampaio).

Programe-se

A Lei A. Tito Filho, de Incentivo Cultural da Fundação Monsenhor Chaves, abriu inscrição até o dia 15 de dezembro (do corrente ano). Os interessados devem procurar a Sala do Conselho Municipal da Cultura, que funciona no Palácio da Justiça, entre o Banco do Nordeste e a Prefeitura, na Praça da Bandeira.

Ouvindo Vozes em Oeiras

Edmar Oliveira. Foto de Kenard Kruel.

Joca Oeiras

Creio que, como eu, muitas pessoas que já perderam seu pai ou sua mãe, lastimam, muita vezes, não tê-los aproveitado melhor, enquanto vivos. Sem querer ser dramático, lembrei-me desses momentos lendo o livro “Ouvindo Vozes” que me foi presenteado pelo autor quando de sua passagem por Oeiras, durante o nosso VI Festival de Cultura.

É que considero que perdi uma excelente oportunidade de, fazendo uma marcação cerrada, usufruir da estimulante e agradável convivência de uma pessoa que, por tudo o que sei e pelo li no seu livro, eu reputo de sábia.

Pior é que eu desconfio que não fui só eu quem perdeu: acho que, coletivamente, não fomos capazes de dar ao Edmar o lugar que lhe cabia nesta sexta edição do nosso Festival de Cultura. Uma pena, inclusive considerando que Oeiras é “uma cidade colonial famosa por seus poetas, músicos e loucos” como disse O.G. Rego de Carvalho.

Por nosso prévio conhecimento internáutico – o Edmar também anima um blog onde se apresenta como “piauinauta” – fui, de certa forma, privilegiado. Estivemos, por exemplo – Edmar, eu, Bill, a bela, Dra Patrícia Schimid, seu irmão Moisés e. o Dr Alencar..– almoçando juntos na Gracinha. Conversamos, rimos, bebemos, o que foi muito bom, mas não o suficiente para mim.

Aliás, Bill me lembrou, a Gracinha nos fez rir a todos quando a jovem e bela Doutora Patrícia “reclamou” estar cercada de “Velhos Babões” e a Gracinha, na lata, respondeu: De que você está se queixando, minha filha, pior seria se não tivesse nem os “Velhos Babões” a paparicá-la.

Tudo isto eu disse – um enorme “Nariz de Cera” do qual não retiro uma linha – para dizer que o livro “Ouvindo Vozes” do piauinauta Edmar Oliveira é, antes de mais nada, lição de um profundo Humanismo, que nos emociona, que nos motiva e nos convoca a rever uma certa (e, às vezes, justificável) descrença no ser humano.

Ninguém pense, no entanto, que vai encontrar a menor “lição de moral” em qualquer uma de suas 278 páginas. O Humanismo de que falo não vem da pretensão em “cagar regras de conduta”, mas de relatos de uma pessoa que, com sua equipe, resolveu procurar convencer os “alienados mentais de toda espécie” de que, para além de loucos eles são seres humanos como todos nós. Estes relatos são carregados de uma verdade impressionante. Cada menor passo no sentido de ressocializar um único paciente é comemorado, no livro, como uma empolgante vitória. Francamente, uma obra inesquecível! Obrigado Edmar!

Ainda que tarde, vida longa para o Joca Oeiras...

meu caro joca: hoje, 1 de novembro, não poderia deixar de aproveitar a ocasião, para lhe desejar toda sorte do mundo pela passagem de mais uma data querida para todos nós que o conhecemos. parabéns pra vc! você merece. mas, estas minhas singelas congratulações, é apenas um modo de aproveitar o brinde pelo seu níver, para sinceramente lhe dizer da minha alegria por vc. ter tido, com muito mérito, desenvolvido e continuará certamente a desenvolver, um trabalho cultural dos mais insígnes no Piauí, que se traduz na busca da união, da solidariedade e de devoção, diria eu, pela nossa venerável terra querida, o Piauí que todos nós adoramos. daqui de Brasília, nesta noite amena do dia de finados,quero lhe dizer que vc. está muito vivo em nossos corações, e por certo, ainda nos dará muitas alegrias pelo relevante trabalho cultural que vc tão bem desempenha em Oeiras,cuja onda se reverbera por todo país. abraços, Chico Castro. (Foto de Kenard Kruel)...

domingo, 1 de novembro de 2009

IV Bienal do Livro de Alagoas

Haroldo Tajra. Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Haroldo Tajra é economista e diretor-geral do Senado. Nesta entrevista exclusiva ele fala sobre a participação do Senado na IV Bienal do Livro de Alagoas em Maceió que começou dia 30 de outubro e vai até 8 de novembro de 2009, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso.

Revista zaP!- Porque o Senado vem à Bienal de Alagoas? Dr. Haroldo Tajra - Neste novo tempo, tendo à frente o Presidente José Sarney e o Primeiro-Secretário, Senador Heráclito Fortes, o Senado Federal resolveu descentralizar a participação em feiras de livro e pela primeira vez vem a Maceió. O Brasil não é feito apenas de poucos Estados e sim muitos. Sendo assim, já fomos este ano à Teresina, Tocantins e agora, com o objetivo de ampliar sua atuação na sociedade através de suas publicações, vem o Senado a Alagoas.

Revista zaP!- Quais as publicações de destaque que o Senado traz para a Bienal de Alagoas? Dr. Haroldo Tajra - Temos duas linhas editorias no Senado. As Edições do Senado e Edições Técnicas. Pelas Edições do Senado destacamos O ABC das Alagoas de Francisco Reginaldo Amorim de Barros que é um dicionário histórico, bibliográfico e geográfico do Estado. Temos também, A Arte Sacra de Alagoas que retrata com fotos e poemas a arte sacra existente no estado. E por fim, Um Diplomata na Corte da Inglaterra de Renato Mendonça que conta a trajetória do Barão de Penedo desde a infância.

Revista zaP!- E as Edições Técnicas, trazem alguma novidade? Dr. Haroldo Tajra - As Edições Técnicas publicam obras legislativas. Destacamos o Código de Trânsito, que estava esgotado e foi reimpresso, o Estatuto da Micro Empresa, do Estrangeiro e ainda em cinco volumes, a História do Legislativo Brasileiro. Em especial, as Edições Técnicas apresenta o Mídia das Fontes de autoria do jornalista Francisco Santanna que analisa a relação da mídia institucional com a mídia privada.

Revista zaP!- E os preços das publicações? Dr. Haroldo Tajra - Alguns detalhes devem ser destacados nesta resposta. Primeiramente o preço de comercialização é o preço de custo, absolutamente acessível a todas as camadas sociais. Se adquirido pela internet, através da Livraria Virtual do Senado, informo isso para o público que estiver impossibilitado de ir à Bienal, não é cobrado postagem. Enfim... Todos poderão adquirir as obras do Senado.

Revista zaP!- As atividades do estande se resumem à comercialização de publicações? Dr. Haroldo Tajra - Não. Temos outros eventos que devem ser destacados, sendo um destes, o evento Braille. O Senado Federal é a instituição federal que tem um setor Braille de excelência e no dia 6 de novembro, às 19 h, estando confirmada a presença do Senador Fernando Collor, vamos doar o Pequeno Dicionário Auréllio em Braille com 10.000 verbetes, a Constituição Federal e a Constrituição do Estado para instituições locais.

Revista zaP!- Quais as entidades e associações convidadas? Dr. Haroldo Tajra- Foram convidadas a Associação dos Cegos de Alagoas, a Escola de Cegos Cyro Acciolly e o CAP - Centro de Apoio Pedagógico ao portador de deficiência visual. E ainda para todos os professores e alunos o Senado realiza uma exposição de documentos históricos trazendo cópias exatamente iguais ao original. Fazem parte da exposição o projeto concedendo isenção de direitos de importação a todos os materiais necessários á construção, o projeto que cria a Vila de Penedo e os nacionalmente conhecidos como a Lei Aurea, a posse e renúncia de Jânio e o temor de posse de Lula. Todos os documentos, poderão ser impressos para o cliente levar para casa.

31.10.2009
Por: Elizabeth Misciasci Revista zaP!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Museu da Imagem e do Som de Teresina

Cineas Santos e a arte de fotografar.
Foto de Kenard Kruel.

Por Jupíter, Airton Sampaio!, estou super emocionado: hoje pela manhã, durante a abertura da II Conferência Municipal de Cultura, realizada na Casa da Cultura, localizada na Praça Saraiva, o presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, professor Cineas Santos, e o prefeito de Teresíndia, Silvio Mendes, informaram que a antiga sede da Câmara Municipal, no centro da cidade, abrigará o Museu da Imagem e do Som, com o principal objetivo de oferecer um espaço de registro da história da capital piauiense.

A criação do Museu da Imagem e do Som vem sendo uma luta minha, do poeta Chico Castro, do Dr. Paulo Henrique Couto Machado, Alcide Filho, Chagas Silva, Quaresma, Zé Dantas, entre outras figuras carimbadas e caras de Teresíndia, de muito tempo. Falei com o Cineas Santos, assim que ele assumiu a Fundação Cultural Monsenhor Chaves, e pum e pimba! Eis a boa notícia de hoje.

Lembro que quando o Jornal da Manhã foi assassinado, pelas costas, o seu acervo, inclusive o fotográfico, ia ser todo queimado no aterro sanitário. Meti o meu fusca (azul conversível) no meio do caminhão, que saia do prédio do JM, liguei para o Dr. José Elias Tajra, dono do jornal, que disse que eu poderia ficar com todo o acervo. Fiz contato imediato de primeiro grau com muita gente boa para abrigar o material recebido. Sem êxito. Porém, o Alcide Filho salvou na hora H. Levou tudo para a casa dele, que estava recebendo um anexo para ser o seu estúdio, fez a devida faxina, escaneou tudo e doou todas as fotografias para a Casa da Cultura. Não tivemos sorte com o acervo do jornal O Estado, nem com o do jornal O Dia e nem mesmo com o jornal Meio Norte, relativamente novo mas que deixaram todas as fotografias do início de circulação serem devoradas pelo vírus mortal do computador. Ainda podemos salvar o acervo do jornal Correio do Piauí, do Genésio Araújo. Soube que ele jogou caixas e mais caixas de fotografias numa casa da Avenida Campos Sales. Quem se habilita?

Ultimamente, tenho me dedicado a sair de casa em casa escaneando fotografias antigas e atuais. Exemplo maior é a digitalização de todo o acervo da dona Genu Moraes, que está sendo financiada pelo seu sobrinho Henrique Aguiar. Menino, eu vi!, é fotografia que não se acaba mais. Mas, além das fotografias, tem cartas, bilhetes, livros, jornais, revistas etc etc etc e talicoisa. Nessas andanças, já tenho mais de 50 mil fotografias contabilizadas.

Às vezes, a gente pensa que não. Mas, fiz um projeto - chamado Banco de Imagens, aprovado pelo SIEC, e com os 8 mil e quinhentos reais vou percorrer o interior em busca de fotografias. Nada me escapará. Estou com olho clínico. No final, quando tudo estiver escaneado, limpado, tratado, vou fazer gravar as fotografias e enviar DVDs para museus, bibliotecas, arquivos etc etc etc e talicoisa. Quem estiver interessado no projeto (ou mesmo nas fotografias), é só entrar em contato. PS: Furtaram minha máquina de dentro do carro, no pátio da Secretaria Estadual da Cultura, no Centro Administrativo. (Estou aceitando doações para comprar outra). Quem se habilita?

O Cineas Santos, em seu pronunciamento, na Casa da Cultura, foi na mosca, como sempre: "Muitas pessoas têm grandes acervos e não sabem ao certo como manter adequadamente esse material, que acaba se perdendo com o tempo. O Museu da Imagem e do Som será um bom destino para aquele belo prédio de nossa cidade, localizado num ponto estratégico para a visitação pública."

"Essa é uma belíssima forma de garantir o registro histórico de nossa cidade"', completou o prefeito Silvio Mendes.

Pela exigência do Diploma de Jornalista

Deputada Rebecca Garcia.

Na quarta-feira passada (28), o relatório da Proposta de Emenda Constitucional 386/09, que torna obrigatória a graduação para exercício do jornalismo, não foi posto em votação na Comissão de Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados (CCJC), conforme previsto. O relatório só seria votado caso a CCJC aceitasse o pedido de inversão de pauta que priorizaria a discussão sobre o tema.

Mesmo antes de ser votado o relatório, o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) manifestou voto (em separado) contrário à PEC do Diploma. Segundo ele, “o voto vencedor, no referido julgamento do STF, proferido pelo ministro Gilmar Mendes, consolida de maneira definitiva e inquestionável o entendimento de que 'a liberdade de expressão e de pensamento compõem o núcleo essencial da Constituição Brasileira'".

De acordo com a deputada Rebecca Garcia, mais do que nunca, a Frente precisa da ajuda da categoria e das pessoas que entendem a necessidade do diploma para dar continuidade à luta no Congresso Nacional. “Vamos ter que trabalhar forte na Comissão para aprovar a PEC. Não tem lógica essa discussão de mérito acontecer na CCJ, que está ali para julgar a constitucionalidade da PEC e não o mérito da matéria. Queremos que essa PEC passe logo na CCJ para que esse tipo de discussão, que é sempre saudável e contribui para o debate, seja feita na comissão especial que será aberta somente com esse objetivo”, afirma Rebecca.

Na próxima quarta-feira (4 de novembro), a deputada Rebecca Garcia, presidente da Frente Parlamentar em defesa da exigência do diploma em Comunicação Social/Jornalismo para o registro profissional de jornalista, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da PEC, e o relator Maurício Rands (PT-PE) irão se encontrar com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes para falar sobre a decisão da inconstitucionalidade da exigência de graduação em jornalismo.

Fonte: Portal Imprensa e Assessoria de Comunicação Deputada Rebecca Garcia

Piripiri - terra de buganvílias e madressilvas

Pedro de Moraes Freitas, o poeta Baurélio Mangabeira e um casal de crianças (desconhecidas). Foto do acervo de Francisco Newton Freitas.


Piripiri é uma aprazível e bucólica cidade, como já disse em outra oportunidade e aqui repito com mais ênfase ainda. A esta comuna sou ligado através dos estreitos laços de sangue dos meus ancestrais e parentes. Terra das buganvílias e madressilvas, como a cognominou a professora universitária Cléa Rezende Neves de Melo, a pessoa que, sem favor algum, mais vem fazendo pela preservação da memória histórica e cultural desta terra, celeiro amplo e abarrotado de importantes figuras que se destacam no cenário histórico do Piauí, tanto na política como na magistratura, nas artes, na música, na literatura e no humor.

Entre esses luminares da cultura, do jornalismo, da literatura e da poesia, gostaria de lembrar, apenas como uma pequena amostragem ilustrativa desse celeiro artístico, que é Piripiri, do nome do grande poeta Baurélio Mangabeira, membro da Academia Piauiense de Letras. Menestrel de versos muitas vezes satíricos, jornalista destemido, perambulava por diferentes paragens com a sua imprensa itinerante, como um verdadeiro cigano do jornalismo e da poesia. Boêmio e inquieto, fez uma viagem a Oeiras, a cavalo, com a finalidade de visitar o seu amigo e poeta Nogueira Tapety, que se encontrava doente de tuberculose, então doença muito temida, apenas para palestrar e tomar – quem sabe? – umas boas talagadas da branquinha.

Dizem os doutos e entendidos que a palavra Piripiri, etimologicamente, provém de certo tipo de capim que havia na região. Assim, Piripiri, em sua assonância pitoresca e exótica, em sua singularidade lúdica e telúrica, já lembra o bucolismo da paisagem em que foi fundada e a paisagem em seu derredor. Cidade cortada pelo Rio dos Matos, já florido em seu próprio nome e pelas árvores que se debruçam sobre seu leito, formando um túnel de ramas ou uma alameda fluvial. Fernando Pessoa dizia que o Rio Tejo era mais bonito que o rio que banhava sua aldeia, mas que o Rio Tejo não era mais bonito que o rio que cortava sua aldeia porque o Rio Tejo não era o rio de sua aldeia. Dessa forma, como Piripiri para os piripirienses é a capital do mundo, do mesmo modo o Rio dos Matos, como no poema pessoano, é o mais bonito rio do universo.

O poeta João Ferry, amigo do poeta Osíris Neves de Mello (sobre quem já me detive em longo estudo), que bem merecia ter um logradouro com o seu nome, se é que já não o tem, cantou todo o encantamento deste torrão no poema que leva o seu nome – Piripiri. Cantou os pau-d’arcos floridos, derramando suas flores de ouro, como lustres soberbos de góticas catedrais. Exaltou o belo bucolismo da Fonte dos Matos, do Recreio, do Mocozal, do Paciência e do Mosquito, no exotismo engraçado desses nomes, que nos fazem viajar nas asas poderosas do pensamento e da saudade. Nesse périplo poético nos deparamos com o Riacho Cabresto, que certamente só tem rédeas nos verões das secas inclementes, mas creio ser indomável nas invernadas das chuvas, nos tempos felizes das cachoeiras, da fartura e do verde reverdecido em verde cada vez mais verde. O Garibalde de tantas recordações, de tantas conversas, de tantos sonhos que se concretizaram em realidade e de outros que se derruíram em desilusões e irrealizações. Açude Anajás, Flor dos Campos e Rio dos Matos, já nos trazem evocações líricas e bucólicas na poesia de seus nomes, que cheiram a terra molhada e a flores silvestres. O primeiro é um céu a retratar outro céu, na ressonância da imagem dacostiana; o segundo faz lembrar um campo matizado de flores do campo, flores simples, flores humildes, flores incultas, jamais encontráveis nos jardins dos palácios e das mansões, porque apenas cultivadas pelo Supremo jardineiro que as criou; e o Rio dos Matos, filho dos matos, na sugestão de seu nome floral.

Por fim, a evocação dos festejos de Nossa Senhora dos Remédios, onde tantos buscaram remédio para seus males, nas promessas da esperança e da fé, onde tantos namoros foram deflagrados, na cumplicidade dos olhares, onde a saudade nascia das bocas das amplificadoras, nas músicas e nos recados do locutor, onde corações eram arrematados nas quermesses dos apaixonados, onde prendas eram leiloadas nas quermesses dos devotos, para as obras da Igreja e ajuda aos necessitados.

2ª Conferência Municipal de Cultura de Teresina

Sônia Terra. Foto de Kenard Kruel.

Como preparativo para a Conferência Nacional, será realizada hoje e amanhã na Casa da Cultura, a 2ª Conferência Municipal de Cultura de Teresina, que tem como tema "Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento". A partir desse evento, serão escolhidos delegados para participarem da 2ª Conferência Estadual de Cultura e a será elaborado um documento referente às propostas de políticas culturais, conforme a realidade de Teresina, para subsidiar as diretrizes do Plano Nacional de Cultura.

A Conferência Municipal será aberta às 8 horas de hoje e contará com a realização de palestras e apresentações culturais durante o dia todo. Às 10 horas será realizada a palestra "Sistema Nacional de Cultura - SNC", ministrada pela presidente da Fundac Sônia Terra e pelo representante do Ministério da Cultura, Roberto Azubel. A partir das 14 horas, serão criados os grupos de trabalho sobre os seguintes temas: "Cultura e Desenvolvimento Sustentável", coordenado pela jornalista Tânia Martins; e "Cultura e Economia Criativa", coordenado por Jairo Araújo. Para encerrar o primeiro dia de discussões, será realizado, às 18h30, no pátio da Casa da Cultura, o projeto Conversa de Terreiro, que é um espaço para apresentações de grupos da cultura popular e, sobretudo, discussões e troca de informações.

Amanhã, às 8 horas, o historiador Paulo Machado profere a palestra "Cultura, Cidade e Cidadania". Em seguida, às 10h será realizada plenária geral com encerramento previsto para as 12 horas. A Conferência Nacional de Cultura é uma realização do Ministério da Cultura, cujo objetivo é instituir uma política cultural que enfatiza, além das artes consagradas, toda a gama de expressões que caracterizam a diversidade cultural brasileira. O evento reúne artistas, produtores, gestores, conselheiros, empresários, patrocinadores, pensadores e ativistas da cultura, e a sociedade civil em geral.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Em torno de Mário Faustino e Maurice Blanchot

Mário Faustino.


deixa
que a voz se cale e sinta-se fluente.
Max Martins

Enquanto existiu, Mário Faustino foi inteiramente dedicado à vivência literária. Ativo, se lançou na literatura em um vôo sem volta. Desde muito cedo, Mário estabelece com a escrita literária uma rede de investigações tendo a poesia e a crítica como zonas de maior atenção; navega de um espaço a outro hidratando-se na intensidade de cada acontecimento; mergulha na leitura e no estudo, engendrando bons encontros, entorno de uma pequena comunidade, com Benedito Nunes, Francisco Paulo Mendes, Haroldo Maranhão, com os quais, entre muitas trocas, lança-se em inquietas movimentações pela busca do espaço literário. E nessa direção, Mário, sempre adiante, enreda-se, num verdadeiro percurso nômade: da província à metrópole, atravessando o estrangeiro, movimento inteiramente fértil no conhecimento de escritas outras, ingressando [nos anos cinqüenta] numa intensa produção literária, sobretudo no período do Jornal do Brasil, no qual dirigiu a página Poesia–Experiência [Lilia S. Chaves: Mário Faustino - uma biografia]. Essa sua atividade, pela sua íntima relação com a literatura, se dobra em uma verdadeira pulsação desejosa tangenciada por rigorosas leituras de Pound, Mallarmé, Rilke, Baudelaire, Crane, mas a um só tempo redobrado numa produção própria, intensa, erguida sob a égide de uma extraordinária potência crítica, sobre a qual a sua escrita trafega – sob o signo de "O Homem e Sua Hora"; "Poesia Experiência" – fabricando novos enunciados para a literatura: a imagem de uma nova sintaxe; o exercício de uma critica criativa. Com efeito, Mário Faustino é, na literatura brasileira, um caso de singularidade, uma escrita que persevera, ora pela sua força poética ora pela potência crítica, numa miríade de interpretações que, pela sua velocidade, desce aos abismos da questão literária para perceber os movimentos que se efetuam na experiência do escrever, sobremaneira nas escritas mais exigentes. Não se sai imune dessa experiência. Portanto, não há nada na escrita de Mario Faustino que não esteja intimamente ligado a um Combate pela literatura. O combate que nada tem a ver com guerra. A guerra é somente o combate-contra, uma vontade de destruição [Gilles Deleuze: Crítica e Clínica]. O combate em Mário é, ao contrário, uma poderosa potencia criativa, pois segue na direção das aberturas e das fendas que fazem respirar a criação literária. Nesse combate a sua escritura se enreda em uma esfera que se movimenta sempre na ordem do positivo, consentindo à escrita o poder invariável do afirmativo, na busca incessante por significados outros. Ao percorrermos os seus textos somos fatalmente atraídos por esse Sim: devorados pela potência do que isso representa. Tal como Mário Faustino, Maurice Blanchot se iniciou na escrita pelos jornais franceses, escrevendo inicialmente sobre política, depois e todo o sempre sobre a questão literária. Recuado, sempre freqüentou pequenos ciclos, de Levinas; Dyonis Mascolo, Marguerite Duras e Robert Antelme; depois George Bataille e Maurice Nadeau. Blanchot percorreu na literatura um diverso de experiências, inclusive a da morte: "A morte seria, pois, a indigência que devemos remediar, a pobreza essencial que se assemelha a deus e que só é assustadora pelo desamparo que a separa de nós. Sustentar, amoldar o nosso não-ser, eis a tarefa. Devemos ser os artífices e os poetas da nossa morte". [O Espaço Literário]. Nessa perspectiva, para Blanchot, a morte está intimamente ligada à vida, a uma decisão que não nos cabe recuar, mas tão somente aceitar, acentuar, pois ela é justamente o movimento ligeiro que dignifica a vida na sua perpétua condição de passagem. É nesse curso que vai erigindo sua escritura, livro a livro, lançando-se a outras experiências de escritura. Em L'Instant de ma Mort pensa a morte como falha, como o alívio que se perpetua na impossibilidade de morrer; em A Literatura e o Direito à Morte tece sua concepção de linguagem e escrita a partir de Hegel via Kojève, na qual a nomeação é impossível, cabendo ao autor tão somente o direito à morte em favor do surgimento da escrita. Para Blanchot, escrever começa com o olhar de Orfeu. Esse olhar é o movimento que rompe com o destino na decisão inspirada e despreocupada de alcançar o seu próprio canto. Mas, para alcançar a potência do Canto, Orfeu necessitou da potência da arte, isso quer dizer que somente se escreve quando se atinge esse espaço aberto pelo seu próprio movimento. Da sua escrita dilata um estranho pensamento que encontramos e reencontramos num infindável redizer. Uma leitura atenta da obra de Blanchot nos mostrará que, mesmo tratando de numerosos e diferentes autores, o que ele nos diz é quase sempre o 'mesmo' [no sentido do Eterno Retorno Nietzschiano]: a literatura como espaço de exigência, no qual a obra continuamente a se reinventar, porque "é preciso dizer uma só coisa e não dizer nada mais do que ela, pois o escritor é aquele que persiste em sua obsessão, aquele que só conhece uma única arte" [Espaço Literário]. A sua escrita é na verdade o eco de uma mesma fala, uma voz perdida que circunda o centro da questão literária. Blanchot escreve e cita como quem persegue o não-familiar. Há uma sensível semelhança entre as personagens das suas narrativas e os escritores que alimentam sua crítica. Todos parecem buscar o não-encontrável, todos mergulhados no segredo que constitui a potência da escritura. Blanchot fala da obra literária do dentro, malogra dizer esse dentro, mas persiste redizendo incessantemente a obra como um escrever sem controle que se desmancha no lado de fora onde a escrita se espraia em um movimento de eterno recomeço. Na escrita de Maurice Blanchot o pensamento é uma multiplicidade, sempre em transformação, em eterno devir; na sua escrita a linguagem se revela como intensidade, aquela cuja grande variedade de fluxos nos permite perceber o horizonte de uma escrita outra, na qual tudo se atravessa: o estilo, a critica, o pensamento; um engendrando o outro, numa velocidade que fratura as fronteiras da literatura e alcança o limiar de um saber nômade, sem ponto de partida ou ponto de chegada, por fora dos códigos e do significado. A escrita de Blanchot age silenciosa e encontra no sujeito a decisão de não-ser; consiste no esforço trágico de convocar o ausente, para tornar real sua presença, fora dela e do mundo, para presentificá-la em sua realidade de escritura. Mário Faustino por circunstâncias outras também teve uma estreita proximidade com a morte, uma proximidade além de si, mas sempre à espreita, como uma ameaça que aos pouco se efetua nas dobras da sua escrita, sinto que o mês presente me assassina [O Homem e Sua Hora]; uma experiência travada na solidão do escrever, no desdobrar da obra. Maurice Blanchot antecede, em matéria de escrita, Mário Faustino em algumas décadas. Quando Mário chegou a Belém [em 1941] Blanchot começava a inquietar com seu Thomas o Obscuro, se lançado em seu projeto de escrita. Mas onde então se encontram essas duas figuras. Não se encontram. Não se comunicam. O canal de comunicação de um e de outro está atravessado por outras linhas de pensamento e conectado em outras constelações. Blanchot submerso nas suas obsessões sobre a escrita como totalidade da obra e nas suas investigações sobre o espaço literário. Na outra margem, Mário embarcando para os EUA, para o estudo, o exílio e as pesquisa, a fim de alcançar um método eficiente para pensar a literatura. Mário não vai disperso, leva consigo algumas pistas arrancadas de pesquisa aleatórias e das conversas com Benedito Nunes e outros que interavam o seu ativo ciclo de leituras. Desses ciclos traz entre muitos o nome de Pound e Croce. Nessa esfera, Mário mergulha no encalço de Pound e dele extrai o alicerce para formação do seu pensamento crítico e de sua linguagem poética. O método de Pound consiste no exame cuidadoso e direto do texto, no contínuo deslocamento aos textos do passado, no olhar veloz aos textos do presente e na argumentação centrada e respaldada pelo texto. Com efeito, numa intensa zona de multiplicidade, Mario conhece a obra de T.S. Eliot, Dylan Thomas, Cummings e muitos outros. De volta a Belém, em 1952, conhece o poeta americano Robert Stock que reitera alguma de suas posições e renova seu acervo com leituras e traduções de Keats, Blake, Hopkinins, Auden [Lilia S. Chaves: Mário Faustino - uma biografia]. Mas e Blanchot? Mário Faustino não leu Blanchot e é provável que nem soubesse da sua existência. Mas onde se comunicam? Onde se abre o encontro? O encontro entre Faustino e Blanchot se abre nas dobras de um desencontro, nos corredores de uma comunidade de distantes, tal como nos fala Jean Luc Nancy: "Já houve entre nós a partilha de um comum que não apenas a partilha, mas que ao partilhar faz existir e toca a própria existência no que essa é exposição ao seu próprio limite. É isso que nos faz "nós", nos separando e nos aproximando, criando proximidade por distanciamento na indecisão maior na qual se mantém esse sujeito coletivo ou plural, condenado (mas é sua grandeza), a não encontrar sua própria voz" [Jean Luc Nancy: La communauté affrontée]. Com efeito, a comunidade talvez tenha se tornado "a comunidade daqueles que não têm comunidade", como já dizia Bataille; a Comunidade 'inconfessável', como diz Maurice Blanchot, apostando assim em alguma comunidade 'negativa', feita do desencontro, atada pela impossibilidade de encontrar, ligada pela distância. Nessa esfera, não há lugar nem tempo fixo para o encontro de Mário e Blanchot, tampouco a necessidade de um encontrar. Mas o encontro acontece. Acontece e se cruza pela leitura da obra dos autores que lhes foram comuns e, sobretudo por valerem-se do recurso do diálogo para encontrar e pensar esses autores. O diálogo acontece e se documenta pela escrita na obra de cada um. Em A Conversa Infinita, de Blanchot, e Em Diálogos de Oficina, de Mário. Blanchot e Faustino mantiveram-se em diálogo constante com a escrita literária, canônica e não canônica, em autores da Margem e do Centro da Esfera; pensar esses autores para eles era parte de uma compreensão indispensável do espaço literário. Mário, em seus Diálogos de Oficina, logo nas primeiras linhas, assim o inicia: dois poetas trabalham na oficina que compartilham. Nas horas de trégua, quando guardam fatigados o silêncio, discutem seu ofício. Não pretendem dizer-se novidade, nem um ao outro expor-se à admiração; querem somente esclarecer, fixar e trocar experiências. Mário Faustino: Diálogos de Oficina]. O diálogo se estende por muitos dias; por ele passam questões cruciais do pensamento literário. Por vezes o diálogo "esquece" Pound e seu método ideogramático e naufraga no espaço aberto do próprio diálogo; não há nada a advertir, não há nada a enunciar, só o diálogo em sua velocidade de quase ficção. Por vezes silencia, não fala e não define, apenas silencia. Vai aos poucos retomando fôlego e recomeça num movimento de eterno recomeço. Fala de Pound, Rilke, Joyce, Launtréamont sobre a escrita, o escrever, e o pensamento. Mário encontra nas entranhas desses autores o eco de um possível, de uma abertura, e nele se enreda em uma longa. E a assim fez Maurice Blanchot, mas de uma outra maneira, pois a sua voz parece precária já é quase inaudível, mas ao contrario de se encerrar, resiste, diz a sua impossibilidade, estende-se em uma Conversa Infinita: Nas primeiras linhas dessa conversa nos diz: Aqui, no mundo simples da fala e da necessidade, as palavras são votadas ao essencial, atraídas unicamente pelo essencial e pelo monótono, mas também demasiado atentas ao que é preciso dizer para evitar formulações brutais que poriam [Maurice Blanchot: A Conversa infinita, A Palavra Plural]. Nessa conversa, valendo-se de uma sofistica capacidade de inventiva, Blanchot combate na literatura as suas idéias restritivas - de Deus, do Sujeito, da Verdade - visando uma escrita inteiramente ''fora do discurso, fora da linguagem'', fora de tudo que remeta a uma cultura da identidade, em favor de uma escrita virada, ao devir, ao crepúsculo dos acontecimentos.

Biografia

BLANCHOT, Maurice. O Espaço Literário. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.

BLANCHOT, Maurice. A Conversa Infinita (VL. 1). São Paulo: Escuta, 2001.

CHAVES, Lilia Silvestre. Mário Faustino: Uma Biografia. Belém: IAP, 2004.

DELEUZE, Gilles. Critica e Clinica. São Paulo: Editora 34, 1997.

FAUSTINO, Mário. O Homem e Sua Hora. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

FAUSTINO, Mário. Poesia Experiência. São Paulo: Perspectiva, 1976.

NUNES, Benedito. Dois Ensaios e Duas Lembranças. Belém: Secult / Unama, 2000.

NANCY, Jean Luc. La Communauté Affrontée. Paris: Galilée, 2001.

Nilson Oliveira é editor da revista Polichinello, autor de Apenas Blanchot (org), [Pazulin, 2008]; A Outra Morte de Haroldo Maranhão [IAP, 2006]

Por que me ufano do meu novo Piauí I, II e III

Cícero Filho, diretor de Ai que Vida!


I - Segundo o IBGE, há, no Piauí, quase 25% de analfabetos (adultos com mais de quinze anos que não sabem ler frases curtas e simples nem escrever um mero bilhete), ou seja, perto de 600.000 pessoas. É feliz quem mora aqui!

II - Segundo o IBGE, o PIB do Piauí não chega a 0,5% do brasileiro, ou seja, o troço é um TRAÇO estatístico, mesmo OITO ANOS DEPOIS da "revolução PeTralhista". É feliz quem vive aqui!

III - Entre o amor e a razão... Ai que vida!... Os sonhos de um sonhador... Com essas três obras-primas da filmografia mundial, como não me orgulhar da Fazenda Piauí? É feliz quem mora aqui!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Jeremias, o bom



A bondade nada tem a ver com a justiça. A justiça é um valor estritamente moral. A bondade não é. Cristo, por exemplo, não foi bom. Foi justo. Bom foi José.

Os filatelistas não conhecem até hoje um selo com a efígie de um bom. Os bons jamais deram filme. Não há sobre ele – os bons – notícia de estátua, monumento, fotografia em alto contraste, subsídios para biografia, apostila ou ponto para as provas. Os bons não fazem história.

Não se sabe ao certo quando foi que Jeremias nasceu. Há contudo os que afirmam que – como os discos voadores – Jeremias sempre existiu.

Título da postagem, retificado por um leitor prolixo: 'Jeremias, o bom, e um texto meio amargo do escritor e cartunista Ziraldo, dia desses em seu blog'.

Por Jupíter, Kenard Kruel!

Lázaro do Piauí. Foto de Kenard Kruel.


Diante de tanta indignação de piauienses de "quatro costados", que por sinal não se revoltam nadinha com 200 mil paus de dinheiro público dados de mão beijada pra outro Ai que vida! da vida, o candidatíssimo ao Oscar Os sonhos de um sonhador, fui ver se tinha visto direito a tal entrevista OFENSIVA. (Clique aqui).

Fiquei com pena da moça. Não pelo que ela disse da Fazenda Piauí (bombardeada diariamente por propagandas ufanistas mais idiotas que as da ditadura militar), mas por ser incapaz, a coitada, de arrancar qualquer riso. Que graça tem, por exemplo, dizer-se "deformada em jornalismo"?

Mas como nosso COMPLEXO DE VIRA-LATA é SEMPRE ALERTA até um "debate" (com nenhuma opinião divergente!") de desagravo se fez, hoje, na TV Meio Norte. Aliás, nele, o Lázaro DO PIAUÍ (a caixa alta homenageia a sua brava "piauiensidade") lascou, mais ou menos, o seguinte:

"O grande Frank Aguiar orgulha o Piauí e nunca fez isso."
"Já registrei em cartório o meu nome como Lázaro do Piauí."
"Minha filha vai se chamar Mariana Piauí."

Taí, Dadá. Essas são boas. Aprenda...

O Chagas não Vale o que a Sônia (In) Terra

Joca Oeiras. Foto de Kenard Kruel.

Querido Chagas Vale: Bill me disse que pediu a você uma camiseta do VI Festival de Cultura de Oeiras,"superGG", comme il faut, para o Joca Oeiras e que você negou, alegando que "O Joca Oeiras não merece pois só sabe criticar a Fundac". Sem querer entrar em detalhes a este respeito, e, mesmo, sem querer questionar este seu alegado poder de dar camisetas ou não a quem quer que seja, quero apenas lhe dizer que a camiseta que eu estou vestindo desde o último dia 25 de Outubro de 2009, é a Camiseta do VII Festival de Cultura de Oeiras no qual espero estar presente, em 2010. O resto é picuinha! beijos e abraços do Joca Oeiras, o anjo andarilho.

Amarante, SOS

Da Costa e Silva by Albert Piauí
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Há quinze dias vi neste espaço (Diário do Povo) um oportuno artigo do acadêmico-historiador Dagoberto Carvalho Júnior intitulado "SOS Amarante". Discreto apelo a que dediquemos mais atenção a essa amorável cidade da riba média do Parnaíba.

Faço coro com ele, que a conhece bem. Pesquisador, fez estudos sobre a cidade, quando ainda pouco se falava entre nós em políticas públicas de valorização do patrimônio histórico e cultural.

"Minha terra é um céu,
se há um céu sobre a terra".

São versos consagrados daquele que é considerado com razão o maior poeta brasileiro nascido no Piauí - A. F. da Costa e Silva.

E que terra-céu é essa? É Amarante, cara-metade piauiense da muito antiga Passagem de São Francisco, fundada, já em 1697, pelo sertanista situando currais.Amarante de Odilon Nunes, inigualado historiador da formação social do Piauí; Amarante de Clóvis Moura, inigualado historiador da insurgência negra no Brasil, conterrâneo de Auta Rosa; Amarante de Nasi Castro, cronista do cotidiano da vida sertaneja brotando do chão social em jorros de amarâncias; de E. Moura, A. Freire, E. Neiva, Cunha e Silva, Bizinha da Paixão, M. Barroso, F. Aires, Ribeiro Gonçalves, Socorro Leal e de centenas de outros cronistas, poetas e prosadores do povo, músicos dos melhores, cantadores, professores, remeiros e vareiros entre os milhares de operários de sua vida comum e comunitária. Empobrecidos, remediados, ricos. E até a primeira miss Piauí dali veio, segundo M. Vilarinho.

Mas toda cidade não é assim, plural, dialética, cantada e namorada por seus filhos e amantes? É verdade. Mas como lembra outro apaixonado da terra, Homero C. Branco, ali é AMAR/ante. Amar antes de mais nada. Eis a sua singularidade. E no andar do andor, Gonçalo foi levado a se juntar ali a Francisco.

Amarante tem um valioso conjunto arquitetônico, herança do tempo em que tinha um movimentado porto fluvial em francos intercâmbios comerciais e culturais com o mundo. O fim da navegação pelo rio em favor do irresponsável advento do automóvel foi economicamente negativo para ela, detendo seu crescimento material, impondo-lhe uma vida mais regrada e certo isolamento. Condição de isolamento e de baixo dinamismo que de certa forma explicam a conservação de seu patrimônio edificado, representativo do fim do século XIX, começos do XX.

Mas ouvi de um seu morador de hoje: "a cidade precisa de progresso em proveito de sua população atual". Ele tem razão. Contudo, essa idéia estúpida de progresso que age derrubando o casario velho, impondo o esquecimento das histórias do lugar, trazendo outras culturas de longe, esse "progresso" não deve interessar a ninguém. A atual geração não tem o direito de destruir o que os velhos amarantinos ergueram em sinal de grandeza da terra.

Minha mãe, nascida e criada ali bem perto entre os Fonseca da zona rural de São Francisco do Maranhão, tinha Amarante em sua memória tal uma luminosa fonte de beleza e experiência letrada. Isto é apenas um exemplo, de milhares possíveis, da lembrança positiva que tanta gente tem da cidade do mestre Odi. Recanto especial na história humana nesta região do ecúmeno.

Sabe-se que o Iphan cuida de medidas necessárias para fazer de Amarante uma cidade ainda melhor, preservando seu patrimônio histórico-cultural, material e imaterial. Melhor ainda, buscando pensá-la para que seu povo possa ter proveito, inclusive econômico, de sua condição de "cidade-monumento histórico". O que Amarante tem de singular da herança de sua cultura passada haverá de constituir diferencial do necessário desenvolvimento que seu povo de hoje precisa, nada impedindo que o antigo conviva com as mais avançadas conquistas da humanidade atual. Povo, municipalidade, Iphan, Conselho de Cultura e associações: SOS Amarante!

(*) FONSECA NETO, professor da UFPI, advogado, escreve às segundas-feiras no Diário do Povo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Fátima Castelo Branco

Fátima Castelo Branco, cantora e compositora, em show no Falcão Clube. Mas, todos os domingos, no sítio Cantal, de sua propriedade, em Altos, ela nos dá o ar do seu canto e encanto. Antes, tem recital poético, contação de histórias, entre outras artes e artemanhas do ontem do hoje do amanhã e sempre.

Todo Dia é Dia D Torquato Neto

Este ano, a Semana Torquato Neto (9 e 10 de novembro) será realizada no sítio Cantal, da cantora e compositora Fátima Castelo Branco, em Altos. O Dr. Heli Nunes, pai do Torquato Neto, em almoço hoje em sua residência, aqui em Teresíndia, confirmou presença, ao lado de dona Genu Moraes. Uma dica importante: quem ainda não comprou o livro Torquato neto ou a Carne Seca é Servida, de autoria deste urso hibernador em sua Kenard Kaverna, que corra para as bancas e livrarias - o estoque está no final. Quem avisa amigo é. É louvando quem bem merece que deixamos o ruim de lado. Foto de Renata Pitta.

Pedro Costa

Pedro Costa, presidente da Fundação Nordestina do Cordel, diretor-presidente da revista De Repente, membro dos Conselhos Estadual e Municial da Cultura, titular da Academia Brasileira de Cordel, ao contrário do que diz o ditado popular, ao enriquecer está ficando, a cada dia, mais magro. E jura de pé junto e dedos cruzados que não deixou de comer rabada, mão de vaca, panelada, feijoada, picanha gorda, buchada, sarapatel etc. O homem está numa elegância que só vendo. A dona Genu Moraes, ao vê-lo domingo passado, pela manhã, no Jockey Club, por conta da programação do Herculano Moraes, presidente da Academia de Ciências do Piauí, exclamou: "Seu Kenard, o Pedro Costa está Formidável!" Foto de Kenard Kruel.

Esqueceram de mim...

O professor Pedro Mendes Ribeiro, presidente da Associação Piauienses dos Violeiros e Poetas Populares do Piauí, da Casa do Cantador, promotor do Festival de Violeiros (mês de agosto), ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas e dos Radialistas etc, está uma fera com o presidente Câmara dos Vereadores de Teresina Renato Pires Berger. Foi ele, Pedro Mendes Ribeiro, quando presidente, quem adquiriu o prédio da Câmara no centro da cidade. Na inauguração do novo prédio, na Avenida Marechal Castelo Branco, esqueceram de convidá-lo para a cerimônia. Aliás, meu caro Renato Pires Berger, uma mancada atrás da outra, não é? Ao querer fazer um giro dando ao novo prédio o nome do ex-governador Chagas Rodrigues, fez um girau ao "desomenagear" o ex-vereador José Omatti, que dava nome ao prédio antigo. A Dra. Fides Angélica Omatti, viúva de José Omatti, que fale por todos nós. Foto de Kenard kruel.

Amaral

Talento e Arte. Foto de Kenard Kruel.

OhAB!

Elizabeth Aguiar, Sigifroi e Joaquim Almeida.
Foto: http://www.cidadeverde.com/

Debate na TV Cidade Verde entre os candidatos à presidência da OAB/PI Sigifroi (que nome...), Joaquim Almeida (cada dia mais Lord...) e Elisabeth (a Guiar, segundo ela, os jovens advogados...). A certa altura, a pergunta:

QUE NOME... Senhor Joaquim, como aplicaria os recursos do Fida?

LORD... Fida? Que é Fida?
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QUE NOME... Fundo de Integração e Desenvolvimento Assistencial dos Advogados.

Por São Nicolau!!! (Airton Sampaio).